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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 282

“Julia”

Eu soube que havia alguma coisa errada antes mesmo da médica abrir a boca.

O cheiro do quarto de hospital improvisado me embrulhava o estômago, a luz branca parecia atravessar meus olhos, e a dor no meu nariz ainda pulsava de leve sob a maquiagem pesada que eu usava para esconder o estrago no rosto.

Tudo parecia ruir ao mesmo tempo.

A médica se sentou à minha frente com aquela expressão ensaiada de pena que eu odiava. Eu tinha ligado para ela, pedindo que viesse imediatamente, quando comecei a passar mal.

— Sinto muito, senhora… a gravidez não evoluiu...

Por um segundo, eu não entendi. As palavras ecoaram na minha cabeça como se pertencessem a outra pessoa.

Não ouvi o que ela falava, a mão foi automaticamente para a minha barriga. O filho de Romeo, perdido.

Fiquei em silêncio, encarando a mulher à minha frente, enquanto sentia algo estranho crescer dentro de mim.

Não era tristeza, era algo pior, mais próximo do pânico. Perder o bebê mudava tudo.

Romeo estava acamado, praticamente imóvel desde o tiro. Demoraria para se recuperar.

Os negócios estavam nas mãos de outros, principalmente de Viktor.

E agora eu já não tinha nem a segurança de um herdeiro para me proteger dentro daquele mundo.

Depois que a médica foi embora, me tranquei no quarto com Adam; tinha que pensar nas possibilidades, no melhor para nós dois.

A maquiagem pesada escondia o roxo que ainda insistia em marcar minha pele, a linha do corte perto da maçã do rosto e a palidez que nenhuma base conseguia apagar.

Ainda assim, eu precisava parecer forte, sempre forte, a futura senhora Bianchi.

Mais tarde, quando entrei no quarto de Romeo para a minha visita diária, ele estava exatamente como eu temia: deitado, pálido e preso àquela cama.

O médico estava otimista: em breve retiraria a sedação, acreditando que ele acordaria e, mesmo que demorasse um pouco, recuperaria a saúde e a posição de poder.

E eu? E meu filho? E agora que não carregava mais o filho dele? Como Romeo encararia essa perda?

Eu tinha mais perguntas do que respostas.

Romeo deveria demorar para acordar, me dando tempo para decidir o que fazer.

Quando saí do quarto, Viktor estava à espera, me encarando como sempre; se dependesse dele, eu estava longe dali.

O olhar dele demorou um segundo a mais no meu rosto, com a crítica estampada ali. Era um olhar desconfortável,; Viktor não gostava de mim e me culpava por o plano ter dado errado, por o chefe ter levado um tiro que quase o matou.

— Como ele está?

Perguntou, seco, como sempre.

— Vivo e lutando — respondi.

Viktor cruzou os braços; ele tinha alguma coisa para falar.

Por isso fui ao Red Rose, precisava ver com meus próprios olhos quem ainda era leal.

Usei maquiagem pesada para esconder o hematoma e o corte no rosto.

Ninguém precisava ver fraqueza.

As luzes vermelhas do salão me envolveram assim que entrei.

O perfume doce, a música e o barulho dos copos me trouxeram de volta a uma sensação familiar de controle.

Foi uma noite agradável, melhor só que imaginei, conheci pessoas, quase fiz acordos.

Até que vi Lucy.

Ela me reconheceu imediatamente, não podia olhar direito na cara dela, mas percebi pela postura, por mais que tentasse disfarçar.

Mas o olhar que ela lançou ao meu rosto maquiado demais me fez entender que ela tinha percebido que alguma coisa estava errada.

Se Lucy me viu, então César e Camila logo saberiam, incluindo a polícia. Processos dos quais eu tinha consciência só atrapalhariam meu desenvolvimento.

Talvez isso não fosse ruim.

Ou quem sabe fosse exatamente o que eu precisava.

Um jeito de puxá-los para mais perto, de terminar o que comecei e de ganhar pontos extras com Romeo antes que ele acordasse.

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