"César"
Assim que o carro preto estacionou do outro lado da rua, meu corpo inteiro entrou em alerta. Por puro instinto, minha mão foi automaticamente para a arma presa à cintura, escondida sob a camisa.
Naquele momento, minha prioridade era Camila.
— Fica aqui dentro — falei, sem desviar os olhos do carro.
Ela hesitou, mas não se moveu.
A porta do veículo se abriu, e José saiu de dentro. Ainda assim, não relaxei. Saí do carro e bati a porta com força, indo na direção dele.
— Que diabos você está fazendo aqui? — perguntei, sem esconder a irritação. — Está me seguindo agora?
José ergueu as mãos, como se tentasse evitar confronto.
— Calma. Eu tentei te ligar.
Peguei o celular no bolso. Duas chamadas perdidas e várias mensagens. Mesmo assim era estranho ele aparecer ali.
— E isso te deu o direito de aparecer aqui na casa da Camila?
Antes que ele respondesse, Camila saiu do carro e veio até nós.
— Aconteceu alguma coisa? Achou a Júlia— perguntou, olhando de mim para José.
José respirou fundo e então voltou a atenção para ela.
— Na verdade… eu também vim falar com você.
Franzi a testa imediatamente, o pressentimento de que não gostaria do que ele tinha para falar.
— Com ela? Sobre o quê?
Ele me ignorou e ficou em Camila.
— Conversei com a Lucy hoje, e uma ideia surgiu.
Camila ficou tensa ao meu lado.
— O que tem a Lucy?
José deu um passo mais perto, falando em tom mais baixo.
— Acho que encontramos uma forma de atrair a atenção da Júlia… e talvez até do Romeo.
Encarei José desconfiado.
— Não gostei do som disso.
José sustentou meu olhar, firme.
— Lucy vai voltar a se apresentar no Red Rose neste fim de semana...
— Nem pensar — Interrompi já sabendo o que ele queria falar.
Ele continuou, agora olhando diretamente para Camila.
— Queremos que você se apresente com ela.
O silêncio caiu entre nós.Virei o rosto para Camila no mesmo instante.
— Não, isso não vai acontecer, pode esquecer.
A resposta saiu antes mesmo que ela pudesse dizer qualquer coisa.
— César… — José começou.
— Não. Nem termina, isso está fora de cogitação.
Minha voz saiu dura.
— Você enlouqueceu se acha que vou deixar a Camila entrar naquele lugar como isca.
Camila me encarou, com uma expressão diferente.
— Isca?
José assentiu.
— Júlia está obcecada por vocês dois. Se houver qualquer chance de ela aparecer, vai ser ao ver a Camila em evidência outra vez. E, se Romeo estiver por trás dos últimos movimentos, ele pode mandar alguém, eles podem sair da toca.
Passei a mão pelo rosto, tentando conter a irritação.
— Então o plano brilhante de vocês é colocar a Camila em um palco e esperar que um psicopata apareça?
— Não é esperar — José rebateu. — É preparar uma armadilha e não vamos deixá-la desprotegida.
Virei para Camila.
— Você não vai fazer isso.
Mas, pela expressão dela, percebi que a resposta que viria não seria a que eu queria ouvir.
— Talvez ele tenha razão, é uma boa ideia, eu sei o quanto a Júlia é louca.
E eu não podia protegê-la tirando sua você
— Se é isso que você quer… eu vou apoiar.
Camila segurou minha mão.
— Obrigada por confiar em mim.
Apertei os dedos dela.
— Não confunda isso com estar tranquilo. Eu vou estar do seu lado o tempo inteiro.
José deu um passo para trás.
— Então temos um plano.
Minha vontade era socar a cara de José por ter aparecido com aquela ideia absurda.
Usar Camila como isca. Colocá-la novamente no centro do perigo.
Só de pensar nisso, meu sangue fervia de novo.
Ao mesmo tempo, uma parte de mim sabia que, se desse certo, poderíamos finalmente fazer Júlia — ou qualquer um daqueles desgraçados — sair do buraco que se meteram.
E ainda havia Nicole. Ela também trabalhava no Red Rose.
Uma outra ideia começou a se formar na minha mente. Uma possibilidade mais arriscada.
Talvez mais eficiente. Mas ainda não era hora de falar.
Primeiro, eu precisava ver como aquela apresentação se desenrolaria.
— Eu vou conversar com a Lucy para acertar como vai ser a apresentação, temos que espalhar a notícia — Camila comentou quebrando o silêncio.
José voltou a atenção para ela.
— Acerte com a Lucy e me avise com antecedência. Preciso de tempo para preparar todo o esquema de segurança.
Cruzei os braços, sentindo a irritação crescer outra vez.
Esquema de segurança da polícia não era suficiente para me tranquilizar e odiava aquela ideia.
Mas, se aquilo nos aproximasse de Júlia, Romeo ou até Viktor… talvez fosse o risco que precisávamos correr.
Ainda assim, algo dentro de mim dizia que aquilo não terminaria bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...