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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 249

"Camila"

Abri a porta da sala de César com força suficiente para bater na parede. Ele levantou a cabeça surpreso com a minha entrada repentina, ficou um momento ali, tentando processar a situação, mas não dei tempo que reagisse.

— Que história é essa de você e a Júlia estarem esperando um filho? — Não duvidava da palavra de Júlia, mas tinha que ouvir da boca do César a verdade.

Ele me encarou, chocado.

— Como você sabe disso? — Não era uma resposta, mas era uma confirmação.

— A sua namoradinha veio me contar da gravidez, disse que vocês vão casar. Quer dizer que você estava me beijando enquanto dormia com ela?

— Não foi isso que aconteceu..

— E o que foi que aconteceu? Me explica, César! Me explica, porque eu ainda não entendi. Você é um mentiroso! — Eu tremia de raiva, não apenas dele, mas de mim mesma por ter acreditado, por ser mais fraca do que pensava quando se tratava de César.

— Eu ia te contar — ele disse se levantando da cadeira e vindo na minha direção — Mas, Camila, não é assim como você está pensando, foi apenas uma vez.

— Quando, César? — Avancei um passo. — Quando você ia me contar? Depois de casado? Você ia fazer o que, me mandar um convite de casamento? Quando você pretendia me falar?!

— Camila, me escuta... por favor...

— Te escutar? O que você vai dizer? Que foi um erro? Que a engravidou sem querer?

Ele passou a mão pelo rosto, visivelmente tenso.

— Foi exatamente isso... Mas..

. — Você é pior do que eu pensava. Por acaso foi obrigado a ir para a cama com ela?

— Eu não planejei isso!

— Engraçado — cruzei os braços. — Você nunca planeja nada. Achei que você fosse diferente, mas é pior do que qualquer um. Se faz de bom moço... Como eu pude, em algum momento, acreditar em você?

— Você tem razão — ele disse, me encarando. — Eu fui pior do que qualquer um. Eu fui para longe, te deixei aqui desprotegida, à mercê do meu pai e, em um momento em que deveria ter certeza, eu confundi meus sentimentos em relação à Júlia.

O silêncio voltou, pesado. Eu podia sentir meu coração batendo forte demais no peito.

— Era uma história que eu achava que estava enterrada. Sim, um dia eu fui apaixonado pela Júlia, acreditei na amizade sincera do Caio e, quando tudo acabou, achei mesmo que tinha superado esse passado. Não tinha intenção nenhuma de dormir com ela...

— Eu não quero ouvir mais nada — interrompi. Eu não queria chorar na frente dele; não faria isso com o que restava da minha dignidade.

— Eu fiquei confuso... eu confesso, mas eu te amo. Não é o que senti pela Júlia. Você se infiltrou dentro de mim a cada sorriso, como uma deusa...

— Para! —Gritei.

— Mas, sim, eu vou ser sincero, eu me perdi no passado. Mas não, eu não amo a Júlia, não vou me casar com ela. Vou ajudar no que for preciso, já falei com ela... E vou entender qualquer decisão que você tome. Você tem todo o direito de nunca mais olhar na minha cara.

— Eu não sou isso, César — falei, ainda de costas. — Não sou a mulher que aceita migalhas. Que divide homem. Que finge que está tudo bem.

— Nunca vou te pedir isso.

Olhei para ele pela última vez. E, dessa vez, não havia raiva, apenas cansaço.

— Então deixa eu facilitar para você — minha voz saiu firme, decidida. — Eu saio do caminho.

— Eu entendo… mas não estamos no século passado. Ele não pode casar só porque ela está grávida.

— Eu não vou ficar no meio disso, me recuso.

— É seu direito… mas tem outra coisa também. Seja lá o que aconteceu entre eles, pode ser que seja mentira. E o filho nem seja dele.

— Lucy, não delira.

— Cami, me escuta um pouquinho. Depois que você saiu soltando fogo pelas ventas, eu falei com ela. Olhei na cara sonsa dela e posso jurar que já a vi outro dia. Sabe onde? No Paradise.

Eu ri, ou melhor soltei uma gargalhada. Só Lucy mesmo para me fazer rir em um momento como aquele.

— Não é brincadeira. Eu fui fazer uma apresentação lá, coisa rápida. Em um momento, uma mulher passou e um homem a abordou, puxando papo. Por alguns segundos, nossos olhos se cruzaram… e eu posso jurar que era ela. Diferente. Com outra roupa… sem querer julgar, mas com roupa de puta mesmo, maquiagem pesadíssima, salto alto. Eu não me engano. Era ela.

Lucy falava sério. Ela realmente acreditava que aquela mulher era Júlia.

Mas não era possível… ou era?

Júlia tinha aceitado um cheque do pai de César para ir embora. O que ela não faria por dinheiro? O Paradise era um lugar de homens poderosos, a nata.

Não podia ser.

— Ainda assim, acabou. Vou fazer a minha última apresentação e vou embora. Eu quero esquecer… César, Júlia… todo mundo.

Sequei as lágrimas. Aceitar o emprego tinha sido uma decisão burra, e ficar depois de tudo era aceitar a minha burrice. Sim, eu amava César, mas me amava também.

— É uma pena… mas, se é assim, vamos preparar a sua melhor apresentação. Inesquecível. Você vai mostrar para o César que ele errou desde o início.

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