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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 209

"César"

Júlia acordou cedo, preparou o café e iniciou o processo para abrir o pequeno restaurante, enquando peguei o carro emprestado e fui até o apartamento que tinha alugado pegar as minhas coisas.

Nunca tinha feito nada na vida além de estudar e me sentar atrás de uma mesa enquanto os outros faziam as coisas por mim.

Mas tinha consciência de que não poderia deixar Júlia sozinha fazendo tudo, me prontifiquei a ajudar e ela me ensinou como tudo funcionava. Com o barrigão de oito meses, ela limpava a cozinha e servia os clientes, disse que de vez em quando uma jovem vinha para fazer o serviço pesado.

Aprendi a limpar, carregar peso e fazer o trabalho mais naquele momento para Júlia. Disse que ela podia ficar atrás do balcão e fiquei na área externa, que tinha apenas quatro mesas.

Em geral Júlia fazia hambúrguer, hot-dog e batata frita, os clientes eram poucos mas frequentes.

E assim foi meu primeiro dia.

À noite, pontualmente, os caras voltaram na mesma caminhonete, rindo do mesmo jeito — principalmente da minha cara, que estava inchada, ganhando um tom roxo.

Paguei o valor com o meu dinheiro, deixando o ganho do dia para Júlia. Tentei disfarçar, dizendo que era apenas um amigo e que o valor nem era meu. Eles não podiam achar que eu era um homem com dinheiro, depois que foram embora, limpei o lugar e fechei a porta.

Quando subi para o apartamento, Júlia cozinhava. Enquanto trabalhávamos, não era estranho. Mas dentro da kitnet, sem espaço, era diferente. Por vários minutos ficamos em silêncio. Ainda era difícil conversar normalmente. O passado entre nós ainda era um abismo, mais fresco do que eu tinha imaginado. Toda aquela situação era surreal demais.

Ela serviu o jantar, e comemos juntos.

— Seu pai sabe que você está aqui?

— Não. Ninguém da minha família sabe.

— Não precisava ter pago o valor com o seu dinheiro.

— Não vamos discutir isso. Guarde o dinheiro para quando seu filho nascer.

Ela abaixou a cabeça, comendo em silêncio, parencia um magoada com as minhas palavras.

— Eu sei que não mereço perdão, mas saiba que me arrependo de tudo, eu foi iludida e ingênua. Poderia ter sido nosso filho — disse baixinho.

Senti o golpe, as lembranças turbulentas. Não queria, mas não consegui evitar sentir raiva, de Caio por ser um lixo e de Júlia, principalmente dela, que era uma menina inteligente e tinha se deixado levar para aquela sujeira.

— Não vamos fazer isso, Júlia. Não vamos por esse caminho, não adianta viver no passado.

— Desculpa.

— Não quis ser grosso…

— Não, tudo bem. Você tem razão.

Sempre havia um carro suspeito na rua. Não faziam nem questão de disfarçar. Ficava ali, parado, com um único objetivo. Não sabia se ela tinha percebido, mas era impossível não notar. Não perguntei de imediato. Talvez aquele fosse o verdadeiro motivo de ela ter medo de fugir.

Mas por que vigiá-la?

Para garantir que entregasse todo o lucro do dia? Ou havia algo mais?

Senti uma pontada de preocupação. Além da dívida, além das ameaças… havia outra coisa ali. Algo que eu ainda não enxergava.

Precisávamos fugir sem sermos vistos. A ideia de John já não parecia exagero, teria que ligar para ele outra vez e pedir reforços. Não conseguiria resolver aquilo sozinho ou acabaria morto.

Mas Júlia estava cada vez mais cansada.

E não tinha condições de fugir agora. A impressão era de que o bebê poderia nascer a qualquer momento, embora ela insistisse que ainda aguentava e que faltava pelo menos mais quatro semanas.

Quatro semanas, não sei se tínhamos quatro semanas.

Liguei novamente para John. Dessa vez, fui direto e ele se prontificou a providenciar o necessário.

Não dava mais para esperar.

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