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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 195

"Isabella"

Senti o alívio percorrer meu corpo quando Augusto foi liberado. Enquanto eu ainda era interrogada, só conseguia pensar nas tais provas que Karina dizia ter — especialmente na foto que ela havia enviado, da qual eu tinha certeza de que era falsa. Ainda assim, talvez a polícia não enxergasse daquela forma. Às vezes, uma prova frágil basta quando existe a chance de prender alguém grande.

Augusto me abraçou assim que me viu, ainda na delegacia. Só queria ir para casa, descansar e fingir que tudo aquilo não tinha acontecido. Mas era impossível. Ver o filho de Karina ir embora sem a mãe, sabendo que ela ficaria detida, partiu meu coração, era dificil de esquecer.

Assim que entramos no carro, falei sentindo algo entalado na garganta, na verdade era culpa.

— Me desculpa por isso… acho que não estava pensando direito.

— Você acha que eu sou o culpado? — ele perguntou, sem me olhar. — Não havia motivo para eu me encontrar com alguém que dizia ter provas contra mim se acreditasse que sou inocente.

Encarei Augusto, procurando a resposta certa. Claro que eu achava que ele era inocente. E, de fato, não havia motivo algum para ele se encontrar com uma pessoa aleatória e me colocar em perigo.

— Eu sei que você não tem nada a ver com isso, confio em você — respondi. — Mas, como eu disse, não pensei direito. Achei que alguém poderia se aproveitar desse momento para te incriminar. Pensando agora, foi uma ideia estúpida.

— Ainda bem que você reconhece — ele disse, cansado. — Mas não parece que acredita totalmente em mim. Isabella, na sua condição, você não pode fazer isso. E se fosse um louco? E se Karina tivesse outra intenção?

Augusto estava exausto, era nítido. Mas havia mágoa ali também — a minha atitude tinha colocado em dúvida algo que, para ele, nunca deveria ter sido questionado. Não me defendi. Apenas concordei com a cabeça.

Fomos para casa em silêncio, cada um preso aos próprios pensamentos.

César, que havia sido avisado por mensagem, já nos esperava na casa de Augusto. Andava de um lado para o outro, impaciente, querendo respostas.

— Karina? — perguntou assim que entramos, incrédulo. — Você está dizendo que a minha secretária era amante do meu pai… e que teve um filho dele?

— Será feito um exame de DNA para confirmar — disse Augusto, cansado, praticamente se jogando no sofá —, mas, depois de tudo o que ouvi, acho que não há motivo para duvidar.

— Eu acredito nela — falei. — Karina não teria feito o que fez se aquele não fosse filho do Marco Aurélio. E, sinceramente, não a condeno por isso.

Contei o resto da história para César, que ainda estava chocado com a informação sobre o filho, mas aquela nem era a parte mais impactante.

— Isso é uma loucura — disse ele, passando a mão pelos cabelos, nervoso. — E, de certa forma, um pouco culpa minha. Fui eu quem pediu para ela se aproximar do andar da presidência. Não acredito que ele teria coragem de fazer isso… — respirou fundo. — Na verdade, acredito sim. Meu Deus… ela confessou mesmo? É incacreditável, de todas as pessoas nunca imaginaria a Karina fazendo algo assim, ela podia ter me procurado.

Na manhã seguinte, a notícia se espalhou com força. O mistério foi reacendido, e o delegado declarou à imprensa que estava próximo de prender todos os envolvidos. Enzo já havia sido apontado como o atirador, e Karina como a suposta mandante e facilitadora. A história contada por Karina veio à tona, revelando ao público quem realmente tinha sido Marco Aurélio.

Enquanto assistia, pensava que não havia mandantes. Karina fora apenas uma intermediária. Eu torcia para que a pena dela fosse reduzida. Ainda que tivesse cometido um crime, não a considerava uma pessoa ruim — apenas desesperada o suficiente para tomar uma decisão errada.

Infelizmente, em rede nacional e pela internet, Augusto ainda era visto como um culpado que ninguém conseguia provar por causa do dinheiro, ninguém queria acreditar que uma funcioária tinha feito aquilo sem ajuda.

Augusto passou o dia inteiro ao telefone com advogados. Eu acompanhava as notícias em silêncio, com medo de que algo mudasse de repente. Medo de Augusto ser preso. Acho que, no fundo, mesmo repetindo para mim mesma que sabia que ele era inocente, eu temia descobrir que talvez ele tivesse alguma participação.

Afastei aquele pensamento, não fazia sentido, tinha certeza de que ele me diria a verdade se eu perguntasse. Ainda assim, deixei o medo me dominar, plantando dúvidas na minha mente.

Augusto estava magoado. Ele tinha percebido a minha dúvida melhor do que eu mesma.

Passei aqueles dias em estado de suspensão, aguardando o momento em que aquele pesadelo finalmente terminaria.

Dois dias depois, o advogado chamou Augusto para ir mais uma vez à delegacia. Ele me obrigou a esperar em casa por notícias. Me tranquei no quartinho do nosso filho, buscando me distrair fazendo planos para o futuro, deixando a televisão e o celular de lado.

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