"Augusto"
A ligação para o meu advogado foi rápida. Expliquei, de forma superficial, que uma informação nova tinha surgido. Se achou estranho, não comentou. Apenas disse que o melhor a fazer era sairmos todos dali. Não adiantava disfarçar, havia câmeras por toda parte, e era óbvio que o momento em que entramos no prédio tinha sido registrado.
Karina conseguiu acalmar o filho e colocá-lo no carrinho. Pegou uma bolsa às pressas, e descemos todos juntos. Foi preciso tirar a cadeirinha do carro dela e colocá-la no meu. Eu não permitiria que dirigisse — a possibilidade de fuga ainda era grande, e qualquer tentativa nesse sentido só agravaria ainda mais a situação dela e poderia colocar o bebê em risco.
Isabella ajudava em silêncio. Não disse uma palavra, mas eu a conhecia bem o suficiente para saber que estava apavorada com o que poderia acontecer com aquela criança. Confesso que também senti um aperto no peito quando vi os olhos grandes do bebê me encarando com curiosidade. Ele podia ser meu irmão. E, ainda assim, seria separado da mãe, meu pai consegui ser destrutivo em qualquer situação.
Repeti para mim mesmo que aquilo era o melhor a se fazer. Pelo bem dele.
Eu sabia que, a partir do momento em que descesse do carro com Karina e o bebê, a informação vazaria. Era inevitável. Havia jornalistas por toda parte, atentos a cada movimento relacionado ao caso, curiosos para saber quem era a mulher com a criança. Mandei uma mensagem rápida para César, sem tempo para maiores explicações. Ele ficaria sabendo assim, melhor que pela internet.
Na delegacia, os procedimentos começaram imediatamente. Karina foi levada para outro setor. Eu, para uma sala de interrogatório. Ali entendi que eles já sabiam quem ela era, como tinha previsto, ela não tinha como fugir por muito tempo.
A sala era pequena e fria. Mesa metálica, cadeiras duras, uma câmera no canto superior da parede. Meu advogado sentou-se ao meu lado, com a expressão neutra de quem já estava acostumado àquele tipo de ambiente, era o melhor da cidade, outro advogado de outro escritório tinha sido designado para Karina.
O delegado sentou-se à minha frente. O escrivão ajustou o gravador e fez um sinal discreto.
— O senhor sabe por que está aqui? — perguntou o delegado.
Assenti.
— Mesmo assim, vou repetir — continuou, cruzando as mãos sobre a mesa. — Estamos investigando o homicídio de Marco Aurélio Salvatore. Seu pai. Surgiram novas informações, e precisamos confirmar alguns pontos.
Respirei fundo.
— Achei que já tivesse respondido tudo o que queriam saber — Falei sem conseguir me conter.
Meu advogado me lançou um olhar de advertência.
— Sempre surge algo novo — disse o delegado. — O senhor tinha um relacionamento complicado com a vítima, correto? Sua esposa chegou a acusar seu pai de envolvimento em uma tentativa de homicídio contra ela e contra seu cunhado.
— Meu pai era um homem complicado — respondi. — E sim, o ex-marido de Isabella disse a ela que ele estava envolvido no sequestro.
— E o senhor acreditou nisso? — perguntou o delegado, me observando com atenção.
— Claro. Eu acredito na minha mulher. E conhecia meu pai o suficiente para saber do que ele era capaz.
O escrivão levantou a cabeça, atento. Controlei a impaciência e respirei fundo.
— Nada nunca ficou provado, não encontraram nenhum indicio de comunicação entre o ex da sua mulher e seu pai, e o caso do seu cunhado foi apenas um assalto. O que importa aqui é que com a morte do seu pai, o senhor herdaria uma parte significativa do patrimônio — continuou o delegado. — Empresa, poder, controle. Recebemos informação do escritório de advocacia de que seu pai esteve lá para alterar o testamento. Queria retirar todos vocês, inclusive da empresa.
Aquilo era novo. Então era isso, ele iria oficializar um novo testamento.
— Sinceramente, achei que ele já tivesse feito isso antes — respondi. — No momento, eu era o único que ainda trabalhava na empresa da família.
— Mas o testamento não foi alterado — disse o delegado. — Ele morreu antes de protocolar o pedido. Ou seja, tudo ficou com vocês.
Ele se recostou na cadeira. Permaneci em silêncio.
— O senhor sabia que Enzo havia voltado à cidade?
— Sim, fui avisado pela irmã dele. Meu pai também sabia. Na verdade, todo mundo sabia, Enzo tentou matar meu irmão mais velho. Todos nós éramos alvos.
— Enzo foi preso hoje tentando deixar a cidade — disse o delegado. — Já tínhamos provas contra ele. Mas quando confessou, trouxe novas informações. Afirmou que Karina, secretária do César, o seu irmão mais velho, foi quem informou onde Marco Aurélio estaria.
O delegado inclinou levemente a cabeça.
— Veja, vai ser dificil acreditar que o senhor não teve participação. Que não mandou a secretária atrás de Enzo. O senhor tinha contato até com a irmã dele e claro entrou aqui com ela.
— Karina procurou minha esposa hoje — respondi. — Queria nossa ajuda, explicou que era amante do meu pai, que teve um filho com ele e que, ao perceber que ele jamais assumiria a criança, ficou assustada, e agora com a morte dele precisava de ajuda. Eu descobri tudo isso hoje. Não tive participação alguma.
— Vamos analisar essas informações — disse o delegado. — Mas nada disso o isenta de ser o cabeça.
— Coincidência não é crime.
Houve um silêncio breve.
— Vamos falar de Karina — continuou ele. — Quando foi a última vez que o senhor falou com ela antes de hoje?
— Meses atrás. Ela era funcionária do César, não minha.
— Ainda assim, procurou o senhor e não seu irmão.
— Procurou.
O delegado soltou um riso seco.
— O senhor fala com muita convicção para alguém que está aqui pela terceira vez.
— Talvez porque eu esteja cansado de ser tratado como culpado.
O clima pesou, e meu advogado me fuzilou com o olhar.
— Meu cliente é inocente, e seu sei que vocês não tem nenhuma prova contra ele, podemos encerrar logo essa conversa.
— Estamos ouvindo sua esposa também — disse ele me encarando. — Vamos ver se a versão b**e.
— Vai bater.
— Enzo afirmou que recebeu informações estratégicas. Horários. Rotas, mas Karina nem era secretária do seu pai.
Controlei a vontade de me levantar e ir embora.
— Não é difícil conseguir isso. Secretárias conversam. Até a do meu pai sabia da minha agenda.
— Vamos ver…
Ele me encarou longamente, podia sentir que gostaria muito que eu fosse o culpado, seria um encerramento e tanto para o caso.
— O senhor não foi ao velório nem ao enterro. Nem sua irmã. Uma família… peculiar.
Não respondi. Era uma armadilha.
Meu advogado argumentou, mas o delegado queria confirmar de novo as informações. O interrogatório recomeçou. Perguntas repetidas, reformuladas, apenas tentativas de contradição.
Horas depois, fui liberado. Saí exausto, confuso, tentando entender como a vida tinha ficado tão complicada.
Isabella também havia sido interrogada, porém menos tempo e menos pressão. Já Karina continuava detida.
Meu advogado confirmou o que eu já sabia: para a polícia, eu ainda era um risco. Não um acusado formal. Mas alguém grande demais para ser descartado, podia surgir uma prova, mas eu nunca tinha falado com Enzo, a única pessoa que dizia ter alguma coisa era Karina.
Ainda assim, algo havia mudado. Com Enzo preso e as novas informações trazidas por Karina, o fim de tudo aquilo parecia próximo. Haveria surpresas, eu sabia, mas podia sentir que, em breve, talvez pudéssemos respirar aliviados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...