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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 187

"Augusto"

Ainda havia muita coisa para resolver, por isso pedi que Isabella fosse para casa e descansasse, não queria ela envolvida em nada.

— Mas eu quero ficar ao seu lado — ela disse, me abraçando.

— Não precisa, amor. Você precisa descansar, tem que pensar no nosso filho. Vou te manter informada, não se preocupe. César vai comigo à delegacia e depois ainda preciso ver a minha mãe.

Isabella me olhou em dúvida, mas eu realmente não queria que ela ficasse ali, no meio daquela confusão. O melhor seria ficar em casa, protegida. Ela já tinha sofrido demais, não precisava passar por mais isso.

— Pode ir — dei um beijo no rosto dela. Assim, ela consentiu, e pedi ao motorista que a levasse para casa.

Quando me virei para César, ele estava me encarando sério, como se estivesse me analisando.

— O que foi?

— Nada. Te ver assim, como um marido amoroso, preocupado, prestes a ser pai… é uma cena que às vezes ainda me pega de surpresa. Mas vejo que você está se empenhando, e fico feliz. Tudo isso é uma tragédia, e seria muito diferente se o nosso pai não fosse quem é.

— Quem você acha que fez isso?

Eu não tinha falado para Isabella, mas a verdade era que meu pai havia levado um tiro no coração. Os detalhes de como tudo aconteceu veríamos na delegacia, assim como o motivo de a minha mãe achar que eu tinha feito aquilo.

— Na verdade, pode ter sido qualquer um. Nosso pai tinha uma longa lista de inimigos, além dos conhecidos. Com toda a repercussão dos escândalos dos últimos dias, outros tantos devem ter entrado na fila.

César tinha razão, poderia ter sido qualquer um.

Fomos para a delegacia e, claro, meus advogados me encontraram lá. O que tinha acontecido era simples: meu pai havia ido ao escritório do advogado dele e, na saída, antes de entrar no carro, um motoqueiro apareceu e atirou direto no coração dele. Tudo foi muito rápido, em plena luz do dia, na rua, na frente de todo mundo.

O motoqueiro fugiu, e ainda não sabiam quem era. Tomaram nossos depoimentos, e percebi que as perguntas eram mais direcionadas a mim. Eu estava na empresa e depois no shopping, não havia motivo para acharem que eu tinha feito aquilo, por mais que odiasse meu pai.

Porém, eu era o único dos três filhos que tinha saído no soco com ele, tinha sido preso por isso, minha esposa havia sido sequestrada e eu ainda tinha acusado meu pai de envolvimento no caso. Além das brigas dentro da empresa, analisando pela ótica da polícia, eu era o suspeito perfeito.

Mas eu era inocente e não tinha por que me preocupar, em breve o assassino seria encontrado. Minha aposta era no Enzo, ele já tinha tentado uma vez.

Da delegacia, fomos para a casa da minha avó. Era um momento delicado. Ela era uma senhora já de idade, mas ainda altiva e saudável. Por pior que meu pai fosse, ainda era o filho dela.

Quando chegamos, havia alguns carros na entrada. Outras pessoas já tinham chegado. A notícia se espalhava rápido e, em breve, estaria em todos os jornais. Seria um escândalo e tanto, talvez a última pá de cal no legado da família.

Ao entrarmos na sala, havia algumas pessoas: advogados, amigas da minha mãe, e minha avó, rodeada de outras mulheres.

Fomos cumprimentados. Era estranho receber condolências sabendo que todos tinham ciência das nossas brigas. Sem saber o que dizer, apenas agradeci e fui até a minha avó para abraçá-la, meu objetivo mesmo era ver como ela estava.

— Augusto, que bom que você está aqui. E você também, meu querido — ela disse, nos abraçando. Percebi a tristeza em seu olhar. Era o único filho dela.

— Estamos sempre aqui, avó. Pode contar com a gente — César respondeu, dando-lhe um abraço.

Mas o clima mudou, ficou tenso. Então percebi que a minha mãe ainda não tinha notado nossa chegada. Dava para ver que tinha tomado algum remédio; parecia aérea e os olhos um pouco desfocados. Quando nos viu e entendeu a situação, levantou-se de repente e nos encarou.

Minha mãe estava com os olhos inchados de choro. Naquele momento, era uma mulher frágil e abalada. Amava meu pai com devoção, obedecia cegamente. Eu não conseguia imaginar o que se passava dentro dela.

— O que você está fazendo aqui, seu assassino? — perguntou, com a voz arrastada e lenta.

Uma mulher se levantou para tentar contê-la. O resto das pessoas ficou em silêncio, chocadas.

— Úrsula! — minha avó tentou chamar sua atenção, mas minha mãe estava além de qualquer controle. Seus olhos permaneciam fixos em mim.

— Você deveria estar na cadeia! Seu assassino! Você matou o seu próprio pai! — ela gritou, descontrolada.

Mais mulheres e César se aproximaram para tentar ajudar.

— Eu imaginei que não. Não espero nada, só achei que você precisava saber.

— Ele morreu mesmo? — Ela perguntou de novo, acho que precisava ter certeza, uma segunda confirmação.

— Sim… eu vi o corpo.

— Quem foi o abençoado que fez isso?

— Ainda não sabem, foi tudo muito rápido e o assassino está foragido. Nossa mãe teve um descontrole, acha que fui eu.

— Por que ela acha isso?

— Não sei. Talvez porque saímos no soco, porque eu a confrontei quando Isabella foi sequestrada… no momento, sou o suspeito número um. Se não por apertar o gatilho, posso ser visto como o mandante.

— Mas isso é absurdo… Eu sei que você não faria isso, por mais que ele merecesse.

— Enfim… vamos aguardar — falei, exausto, sentindo o peso daquele dia interminável.

— Se precisar de alguma coisa, pode me ligar. Mas como disse, não vou ao velório nem ao enterro, só fico preocupada com a nossa avó.

— Eu também fico.

Percebi que ela deixou a mãe de fora da preocupação, mas não podia julgar a frieza da minha irmã.

Fui para casa. Isabella dormia no sofá, encolhida no cobertor, provavelmente tinha tentado me esperar acordada. Quando eu demorava, ela quase nunca conseguia dormir sozinha na cama.

Peguei-a no colo e a levei para o nosso quarto. Depois de tomar um banho, me deitei abraçando-a, fazendo carinho em sua barriga. Ela resmungou baixinho e me apertou contra si.

Não quis pensar em mais nada, mas não consegui evitar um pensamento de alívio. No fundo, eu tinha medo de que meu pai tentasse de novo e ele não erraria duas vezes. Agora, pelo menos eu sabia que estávamos livres.

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