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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 186

"Isabella"

Sem conseguir ficar parada apenas esperando, liguei para Camila, precisava conversar com alguém e a minha prima era única pessoa de confiança para falar sobre isso. Em algum momento a morte de Marco Aurélio se tornaria notícia, mas, por enquanto, ninguém sabia, apenas a família. Eu precisava falar com alguém que me conhecesse de verdade, alguém em quem pudesse confiar sem medir palavras.

Minha prima atendeu rápido, os últimos dias a tinham deixado em estado de alerta.

— Isa? Aconteceu alguma coisa?

— Camila, você está sozinha? — perguntei, baixando a voz. — Preciso falar uma coisa… e não quero ser ouvida.

— Peraí. — Ouvi passos apressados e o som de uma porta se fechando. — Pronto. Pode falar. Você está me assustando.

Engoli em seco. Dizer aquilo em voz alta parecia tornar tudo definitivo.

— O Marco Aurélio morreu.

Houve um silêncio pesado do outro lado da linha.

— Como é que é? — ela disse, devagar. — Morto… morto mesmo?

— Sim. — Respirei fundo. — A mãe do Augusto ligou aos gritos. Estamos no IML para reconhecer o corpo, o Augusto foi fazer isso, ainda não deram detalhes sobre o que aconteceu.

— Meu Deus… Mas como? Foi acidente? Doença? Provavelmente castigo divino.

— Camila...! Eu não sei. De verdade, não sei. Pelo clima, tenho quase certeza que foi assassinato, com tudo foi jogado nos jornais, imagina o tando de gente com raiva.

— Com toda certeza alguém matou esse desgraçado. E, sinceramente? Isso é o que eu chamo de karma, eu falei que uma hora ele vem, cedo ou tarde nunca falha.

— Para. — Fechei os olhos. — Não fala assim.

— Por quê? Depois de tudo o que ele fez com você, com o Augusto… com todo mundo? Foi tarde, só porque morreu o cara não virou santo.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, minha prima tinha razão.

— E o Augusto? — ela perguntou, mais baixa. — Como ele está?

— Totalmente fora do ar. Acho que nem conseguiu entender ainda. Eu mesma não consegui, só queria um momento de paz, mas pelo jeito vai demorar ainda.

— Esse momento vai chegar, eu tenho certeza. Mas acho que ninguém processa isso rápido. Ainda mais sendo o pai, mesmo que o pai em questão não mereça nenhuma lágrima.

— É estranho — confessei. — Muito estranho. Pensar que ele morreu… e, no fundo, eu sinto um alívio. E isso me faz me sentir péssima.

— Não faz, não — Camila respondeu sem hesitar. — Isso é humano. Você sofreu, quase morreu em parte por causa daquele homem. Eu estou aliviada e você tem todo o direito de estar também.

— Mesmo assim… morte é morte.

— É mas algumas pessoas não fazem falta— Ela fez uma pausa. — E agora? O que vai acontecer?

— Ainda não? — Camila estranhou. — Mas ele precisa saber, Isa, o Augusto deve ter uma forma de falar com ele, avisar antes que a noticia se espalhe, imagina ficar sabendo da noticia da morte daquele traste pela televisão?

— Eu sei. Eu vou dar um jeito — Me senti cada vez mais culpada pela mentira e sem saber o que falar fiquei em silêncio. Um segundo. Dois. Tempo demais.

— Isa? — Camila chamou. — O que foi?

— Nada. — Forcei a voz a soar normal. — Eu só estou pensando em como contar tudo isso. É muita coisa ao mesmo tempo. Camila, eu preciso desligar, o Augusto está voltando. Depois eu te ligo, prometo.

— Tá. Mas, Isa… — ela falou antes que eu desligasse. — Seja forte e para de se sentir culpada.

— Vou tentar, eu juro.

Desliguei antes que ela dissesse mais alguma coisa. Se continuasse perguntando, eu não conseguiria sustentar a mentira. Isso magoaria Camila, e no fundo eu queria que ela seguisse em frente, encontrasse alguém bom, simples, que não a puxasse para o meio desse caos.

Quando virei, Augusto e César se aproximavam. Os rostos fechados, as expressões indecifráveis. Ali estava a confirmação. Marco Aurélio estava realmente morto, mesmo depois da conversa com Camila, parecia que ainda não era verdade.

E, contra tudo o que eu achava que sentiria, Camila tinha razão. O certo era sentir alívio sem culpa. Ninguém jamais investigaria o envolvimento dele com meu ex-marido. Seu nome não seria associado a nada. Ele havia pago, de alguma forma, para que Carlos me jogasse em um buraco,

Agora os dois estavam mortos.

Em silêncio, pela primeira vez, eu podia me considerar vitoriosa, já que tinha sobrevivido.

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