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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 170

O novo local era elegante, nada comparado ao Rosewood hotel, mas era o mesmo de sempre. Assim que Valentina entrou, soube exatamente onde estava — não pelo nome do salão, mas pela sensação. Era ali. Sempre ali. O lugar onde Vittória Montenegro gostava de ser vista como soberana absoluta.

Pé-direito alto. Lustres pesados. Mármore demais. Ouro demais.

Tudo falava a mesma língua: controle.

Márcia caminhava alguns passos à frente, segura demais, como quem voltava para casa.

— Aqui sempre funcionou muito bem. — disse, com um sorriso satisfeito. — A senhora Vittória prefere ambientes que imponham respeito imediatamente.

Valentina assentiu, dócil.

O tipo de assentimento que não provoca, não discute, não ameaça.

— É… — murmurou. — Dá pra sentir.

Os fornecedores se movimentavam pelo salão como formigas bem treinadas. Amostras de tecido eram abertas sobre mesas longas. Arranjos florais ainda incompletos aguardavam aprovação.

Verde.

Dourado.

Verde profundo. Dourado pesado.

Vittória Montenegro em cada centímetro.

— Mantemos exatamente a paleta tradicional. — Márcia explicou, apontando. — Verde e dourado. A identidade da família.

Valentina caminhou lentamente pelo espaço, passando os dedos pela toalha de uma das mesas. Não fez cara feia. Não torceu o nariz. Não questionou.

— Fica… imponente. — disse apenas.

Márcia sorriu, satisfeita.

— A senhora Vittória sempre acreditou que elegância precisa ser percebida à distância.

Valentina concordou de novo.

— Claro. — respondeu. — Não vamos mexer em nada.

A palavra nada caiu como um presente para Márcia.

— Então seguimos o padrão clássico. — ela confirmou, já anotando no tablet. — Mesas imperiais, arranjos altos, iluminação quente. Nada de modernismos desnecessários.

— Exatamente. — Valentina disse, calma demais. — Como sempre foi feito.

Márcia respirou aliviada.

Ali estava. A rendição.

— Fico feliz que tenha entendido. — disse, quase maternal. — Às vezes, tentar inovar demais em eventos desse porte pode ser… perigoso.

Valentina ergueu o olhar para ela.

Sorriu.

— Eu concordo. — respondeu. — Melhor não arriscar.

Caminharam mais alguns minutos pelo salão. Valentina aprovou fornecedores. Assinou papéis. Concordou com cronogramas. Repetiu frases que Márcia conhecia bem — frases que Vittória usava há anos.

Tudo igual.

Tudo previsível.

Tudo confortável para quem achava que mandava.

Ao final da visita, já no estacionamento, Márcia fechou o tablet com satisfação.

— Vai ser um evento à altura do nome Montenegro. — disse. — A senhora Vittória ficará satisfeita.

Valentina assentiu uma última vez.

— Tenho certeza.

Entrou no carro sem pressa. Ajustou a bolsa no banco ao lado. Olhou pelo vidro enquanto o motorista ligava o veículo.

O carro começou a se mover.

Só então, quando o prédio ficou para trás, Valentina pegou o celular.

Discou.

— Oi, Cíntia. — disse, a voz completamente diferente agora. Clara. Segura. — Como está a decoração?

Fez uma pausa, ouvindo.

— Ótimo. Então vamos alinhar: nada de verde e dourado. — falou, firme. — Quero azul e branco. Elegante. Fino. Leve. Sem excessos. Quero elegância e delicadeza.

Outra pausa.

— Sim. — continuou. — Minimalismo com presença.

Um canto da boca de Valentina se ergueu.

— Perfeito. — concluiu. — Confio em você.

Desligou.

O carro seguia pela cidade, suave, obediente.

Caminhou mais dois passos, apoiando a mão no vidro frio.

— E Rafael? — perguntou então, casual demais.

Do outro lado da linha houve um microsegundo de hesitação.

— Ele não interferiu dessa vez senhora. — Márcia respondeu. — Pelo contrário. Parece… omisso a qualquer coisa que ela fale.

O sorriso de Vittória não desapareceu.

Mas ficou mais fino.

— Não confie. — disse. — Conheço o filho que tenho.

Silêncio.

— Acha que ela está fingindo? — Márcia perguntou, cautelosa.

Vittória virou o rosto lentamente, como se a pergunta fosse quase ofensiva.

— Eu não acho. — respondeu. — Eu sei que ninguém se curva tão fácil sem motivo.

Houve uma pausa pesada.

— Quero alguém seguindo-a. — ordenou. — Discreto. Profissional. Que não apareça nem nos reflexos.

— Senhora… — Márcia começou.

— Não estou pedindo opinião. — Vittória cortou. — Quero saber onde ela vai, com quem fala, o que decide fora do seu alcance. Cada passo.

Márcia respirou fundo.

— Entendido.

Vittória voltou a se sentar, cruzando as pernas com elegância calculada.

— Se ela estiver realmente rendida… — disse, num tom quase indulgente — não haverá nada para encontrar.

Fez uma pausa.

— Mas se estiver jogando… — completou — eu quero descobrir antes.

A ligação foi encerrada.

Vittória ficou alguns segundos olhando para o celular apagado. Depois o deixou sobre a mesa lateral como quem descarta uma peça já usada.

— Valentina Diniz… — murmurou. — Você pode até ter aprendido a sorrir no tabuleiro errado… mas vai aprender que eu cheguei até aqui e não pretendo cair.

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