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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 386

Rafael surgiu na varanda segundos depois, como se atendesse a um pensamento dela sem saber.

A idade tinha feito a ele um favor perigoso.

Continuava bonito de um jeito irritante, claro. Isso parecia estrutural. Mas havia agora outra camada. Um peso masculino mais maduro. Uma firmeza ainda mais silenciosa. O rosto seguia forte, a barba impecavelmente desenhada, os cabelos escuros com um ou outro fio discreto que só o deixavam mais absurdo. Ainda era o tipo de homem que mudava o ambiente ao entrar. Só que agora essa presença já não vinha acompanhada do aço nervoso de quem vivia em guerra constante.

Havia paz nele também.

Não paz mansa. Não inocente.

Paz conquistada.

Rafael aproximou-se sem dizer nada, parando ao lado dela e seguindo seu olhar até os filhos.

— Bernardo vai deixar Gustavo empurrar a canoa — disse, num tom que misturava previsão e resignação.

Valentina nem virou o rosto.

— E Harumy vai convencê-los de que foi ideia deles.

— E Kyoto vai aparecer no meio.

— Correndo.

— Gritando.

Os dois ficaram em silêncio por um segundo.

Então Valentina sorriu.

— A gente criou isso.

Rafael soltou um sopro curto de riso.

— Nós e o destino, aparentemente bêbado.

Ela finalmente virou o rosto para ele.

— Você está feliz?

A pergunta saiu baixa. Simples. Mas carregava o peso inteiro de tudo o que tinham vivido.

Rafael a olhou por alguns segundos antes de responder.

Não porque precisasse pensar. Porque queria escolher bem a honestidade.

— Sim — disse, enfim. — De um jeito que, anos atrás, eu nem saberia imaginar.

Valentina sentiu o coração apertar daquele jeito bom que ainda acontecia quando ele baixava as armas sem aviso.

— Nem eu.

Rafael pegou a taça da mão dela e a colocou sobre a pequena mesa lateral da varanda sem desviar os olhos do rosto dela.

Depois tocou de leve a cintura dela, puxando-a um pouco mais para perto.

Lá embaixo, Bernardo dizia alguma coisa séria demais para um garoto de quinze anos. Gustavo protestava. Harumy rebatia. Kyoto gritava que queria bolo antes do jantar. Bianca mandava todo mundo esperar. Lucas fingia controle. Helen dava risada. A vida inteira deles seguia acontecendo em volume alto.

Mas, entre os dois, havia um silêncio bonito.

Daqueles que casais só conseguem construir depois de muito tempo se escolhendo.

— Você sabe — Rafael disse, a voz baixa — que o Bernardo está apaixonado pela própria capacidade de existir, não sabe?

Valentina fechou os olhos por um segundo, já rindo.

— Ele tem quinze anos. É o mínimo.

— Hoje mais cedo eu encontrei perfume no banheiro dele.

— Ah, não.

— Ah, sim.

Ela levou a mão ao rosto.

— Nós vamos sofrer muito.

— Você vai sofrer. — Rafael corrigiu. — Eu vou intimidar.

Valentina deixou escapar uma gargalhada.

— Claro. Porque isso sempre ajuda adolescentes.

— Ajudou comigo.

— Você não foi intimidado na adolescência. Você era o problema.

O canto da boca dele se moveu.

— Justo.

Ela apoiou a testa por um segundo no ombro dele, deixando-se apenas existir ali, ouvindo as vozes dos filhos, dos amigos, da família construída ao redor, do vento passando pelo lago e das árvores respondendo baixo ao anoitecer.

Quando ergueu o rosto de novo, o céu já começava a mergulhar num azul mais escuro, e a primeira estrela aparecia tímida acima da linha das árvores.

— Vamos dar uma volta? — perguntou.

Rafael olhou para o lago.

Depois para ela.

E assentiu.

Capítulo 386— FIM 1

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