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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 385

Dez anos tinham passado, não como passam os anos nas histórias apressadas, em que o tempo salta de página em página sem deixar marcas reais. Tinham passado como a vida passa quando é vivida até o fim: com pressa em alguns dias, com lentidão em outros, com noites longas, manhãs caóticas, filhos adoecendo de repente, adolescentes achando que já sabem tudo, risadas no meio da cozinha, contas, trabalho, pequenos sustos, grandes alegrias, viagens adiadas, jantares remarcados e aquele amor que, quando é de verdade, aprende a sobreviver não só ao extraordinário, mas também ao comum.

Talvez fosse essa a forma mais bonita de vencer.

Não sobreviver à guerra. Não vencer os inimigos. Não sair ileso da dor.

Mas chegar ao depois.

E o depois, naquela noite, tinha cheiro de grama úmida, comida boa, risada de criança e céu tingido de dourado.

A casa à beira do lago estava viva.

Não apenas ocupada. Viva.

As luzes da varanda já começavam a se acender uma a uma, dourando a madeira clara, os vasos de flores, as cadeiras espalhadas pelo jardim e a mesa longa preparada para o jantar em família. O fim de tarde caía devagar sobre a água, pintando o lago com reflexos cor de mel e cobre, enquanto o vento passava suave entre as árvores altas que cercavam a propriedade.

Era um lugar bonito sem esforço.

Um lugar com cheiro de paz construída.

Valentina estava parada na varanda com uma taça de água aromatizada nas mãos, observando a cena diante de si com aquele tipo de silêncio que só aparece quando o coração está cheio demais para precisar de palavras.

Bernardo tinha quinze anos.

Quinze.

Ainda era estranho pensar isso sem rir por dentro.

Alto demais para a idade, bonito demais para a própria segurança futura e perigosamente consciente disso, Bernardo andava pelo mundo com aquela mistura quase ofensiva de inteligência precoce, ironia tranquila e o tipo de presença que deixava muito claro, sem que ele precisasse se esforçar, de quem era filho. Tinha herdado os olhos do pai, o raciocínio cortante da mãe e um senso de independência que fazia Valentina e Rafael oscilarem diariamente entre orgulho absoluto e vontade de trancá-lo em uma redoma até os trinta anos.

Naquele momento, ele estava perto do píer, de braços cruzados, fingindo paciência enquanto Gustavo tentava provar um ponto que, pelo tom da conversa, devia ser ao mesmo tempo profundamente importante e completamente inútil.

Gustavo, aos dez anos, tinha a energia de uma pequena explosão elegante. Menos silencioso que o irmão, menos calculado, mais impulsivo, mais sorridente e mais dado a transformar qualquer tarde em competição, Gustavo parecia ter nascido para empurrar a vida para a frente aos tropeços felizes. Tinha o charme dos meninos que ainda não sabem o tamanho do estrago que causarão no futuro, e o sorriso fácil do Rafael mais jovem, quando a vida ainda não tinha endurecido tudo.

Ao lado dele, Harumy sustentava a mesma discussão com a solenidade agressiva de quem não admitia perder nem em hipótese. Aos dez anos, Harumy já era exatamente o que todo mundo tinha previsto e, ao mesmo tempo, mais do que isso. Delicada no rosto, feroz na opinião, brilhante demais para o próprio sossego e dona de um senso de humor afiado que misturava o drama da mãe com a capacidade cirúrgica de observação do pai, ela era o tipo de menina que entrava em qualquer conversa como se já tivesse estudado o assunto melhor do que todos os presentes.

Gustavo falava com as mãos. Harumy rebatia com o queixo erguido. Bernardo observava os dois com a expressão cansada de quem se considerava, de forma completamente arbitrária, a única pessoa madura naquela família.

Mais ao fundo, Kyoto Monteiro corria pela margem gramada do lago com a liberdade absoluta dos cinco anos.

Kyoto.

A mais nova de Bianca e Lucas.

A pequena catástrofe de olhos brilhantes e cabelos escuros que conseguia, sozinha, misturar doçura angelical com o puro espírito do caos. Não andava, surgia. Não falava, declarava. E tinha o talento raríssimo de fazer qualquer adulto minimamente funcional largar tudo o que estivesse fazendo para prestar atenção nela.

Naquele instante, ela corria atrás de um cachorro imaginário, de um segredo inventado ou talvez apenas de uma ideia brilhante que ninguém mais conseguia ver, os braços abertos, o vestido claro balançando, as sandálias já meio tortas nos pés.

— Kyoto! — a voz de Bianca ecoou da varanda lateral. — Se você cair no lago, eu juro que faço outro filho e te substituo!

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