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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 169

O quarto de Rafael tinha um tipo de silêncio que não existia no resto da mansão.

Ali, as paredes não pareciam julgar.

A luz da manhã entrava por frestas controladas, tocando a cama com uma delicadeza que não combinava com o nome Montenegro — mas combinava com o que acontecia ali dentro quando ninguém estava vendo.

Valentina estava sentada na beirada da cama, ainda com o cabelo solto, usando uma camisa dele que parecia ter sido feita pra provocar: longa demais para ser comportada, curta demais para ser inocente. A xícara de café aquecia suas mãos, e ela observava o movimento de Rafael pelo quarto como quem já sabia os caminhos dele de cor… e mesmo assim gostava de ver de novo.

Rafael mexia em papéis sobre a mesa baixa, mas era uma mentira elegante: a atenção dele já tinha ficado presa nela desde o instante em que acordou.

Depois de alguns segundos, ele se levantou sem pressa, foi até o aparador e voltou com uma bandeja simples, colocando-a entre os dois. Café, frutas, pão.

Aquela era a parte que mais confundia Valentina: ele podia dominar o mundo inteiro… e ainda assim escolher, com ela, uma manhã silenciosa.

Ela levou a xícara aos lábios e respirou fundo, como se aquele gesto fosse um pacto íntimo.

Rafael sentou-se ao lado, a mão tocando a dela de leve, quase casual.

— Você dormiu? — perguntou.

Valentina ergueu a sobrancelha.

— Eu estava praticamente desmaiada. — respondeu. — Não conta como dormir?

Rafael soltou um riso baixo, curto… e, depois, o olhar dele mudou.

Ficou sério. Focado. Aquele Rafael que não falava por falar.

— Ontem… — começou, devagar. — Foi peso demais?

Valentina piscou uma vez, pegou um pedaço de fruta e mastigou com calma, como se estivesse pensando com o corpo inteiro.

— Não. — respondeu. Simples. Direta.

Rafael franziu levemente a testa, como se não acreditasse na facilidade daquela resposta.

— Não era minha intenção jogar tudo em cima de você. — ele disse, a voz baixa. — O evento… a exposição… isso tudo.

Valentina virou o rosto para encará-lo de verdade.

O quarto era silencioso, mas ela conseguia ouvir a sinceridade dele em camadas — a preocupação que ele não costumava permitir aparecer.

Ela sorriu. Um sorriso pequeno, bonito, cansado e corajoso.

— Rafael… eu não sou de açúcar. — murmurou. — E, sinceramente? Eu estou gostando do que vem pela frente.

A frase caiu entre eles como uma faísca.

Rafael a encarou como se ela tivesse confessado um crime.

— Sério? — ele perguntou, seco.

Valentina assentiu, tomando mais um gole de café.

— Sério. — repetiu. E havia certeza ali.

Rafael passou a língua pelo canto interno da bochecha, aquela mania de quando estava tentando controlar alguma coisa.

— Você tá achando isso divertido? — ele provocou, mas o olhar não tinha humor. Tinha alerta.

Valentina inclinou um pouco o rosto.

— Não é divertido. — respondeu. — É… interessante. — E então, como se fosse a coisa mais normal do mundo, completou: — Márcia é competente. E sabe o que faz.

Rafael parou.

Não foi uma pausa qualquer.

Foi o tipo de silêncio que só acontece quando alguém ouve algo que não esperava… e tenta decidir se ri ou se mata alguém.

Ele virou o rosto pra ela devagar.

— Você tá falando sério? — perguntou, incrédulo.

Valentina deu de ombros.

— Uhum.

Rafael se inclinou um pouco, cotovelo no joelho, o olhar mais escuro.

— Você sabe que ela tá a mando da minha mãe, não sabe?

Valentina não perdeu o sorriso. Pelo contrário — ficou até mais bonito, como se ela estivesse segurando um segredo na ponta da língua.

— Sei. — disse, tranquila. — Claro que sei.

Rafael a olhou por alguns segundos longos, como se estivesse tentando ler a mente dela — e falhando, o que era raro demais para ele.

— Então… — ele falou devagar. — Você enlouqueceu?

Valentina riu. Um riso baixo, delicioso.

— Não. — respondeu, simples. — Eu amadureci.

Rafael soltou o ar pelo nariz, descrente, e passou a mão pelo próprio rosto.

— Precisa de alguma coisa? — perguntou, finalmente.

Valentina inclinou o corpo para mais perto, apoiando a mão na perna dele e encarando-o de um jeito que o desmontava.

— Não. — disse, firme, quase doce. — Eu sou grandinha. Sei me defender.

Rafael estreitou os olhos.

CAPÍTULO 169 — O TRONO 1

CAPÍTULO 169 — O TRONO 2

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