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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 138

Rafael Montenegro não era mais apenas o convidado apresentado por Yamamoto. Era o homem que tinha atravessado o salão com segurança, sustentado conversas difíceis, ocupado o centro da mesa — e dançado com a esposa sem parecer performático.

Isso dizia muito.

Valentina percebeu antes dele.

Assim que deixaram a pista, um pequeno grupo se aproximou com naturalidade ensaiada. Não houve interrupção brusca. Apenas uma absorção suave, como se aquele espaço sempre tivesse sido deles.

— Montenegro. — disse um homem de cabelos grisalhos, sotaque europeu contido. — Gostaria de continuar aquela conversa sobre infraestrutura híbrida.

Rafael assentiu, já ajustando o foco. — Claro.

Valentina permaneceu ao lado, sem invadir, sem se afastar. Presente.

Enquanto Rafael falava sobre integração de dados, risco político e segurança transnacional, ela observava o entorno: quem se aproximava demais, quem aguardava o momento certo, quem apenas escutava para decidir depois. Aquilo não era vaidade. Era cálculo coletivo.

— A Montenegro Corp tem evitado exposição pública excessiva. — comentou outro empresário, girando o copo lentamente. — Uma escolha curiosa para quem quer escalar.

Rafael respondeu com tranquilidade. — Visibilidade é útil quando você já controla o que ela revela.

Houve um leve sorriso em resposta. — Concordo.

Valentina sentiu o olhar de alguém pousar nela de novo. A mesma mulher do jantar, postura impecável, expressão curiosa.

— Senhora Montenegro… — chamou, educada. — Seu marido fala em controle como quem entende o peso disso. Imagino que isso seja… discutido em casa.

Valentina não se apressou. — Discutido, não. — respondeu. — Avaliado.

A mulher sorriu, satisfeita. — Boa resposta.

Rafael lançou um olhar rápido para Valentina. Não era surpresa. Era reconhecimento silencioso.

A noite seguia sem pressa.

Garçons surgiam e desapareciam como sombras bem treinadas. Taças eram substituídas antes de ficarem vazias. Conversas se formavam, se desfaziam, se recombinavam. O salão funcionava como um organismo vivo — e Rafael agora fazia parte do centro nervoso dele.

Em determinado momento, Yamamoto se aproximou novamente.

— Estão comentando muito bem de você. — disse a Rafael, em japonês baixo, controlado. — Não apenas sobre números.

Rafael assentiu. — É o que importa.

Yamamoto inclinou levemente o rosto na direção de Valentina. — Sua presença equilibra o ambiente. — comentou. — Isso é raro.

Valentina respondeu com um sorriso breve. — Apenas observo.

— Isso já é muito. — Yamamoto concluiu, antes de se afastar.

Lucas e Bianca reapareceram alguns minutos depois.

— Vocês perceberam que estão oficialmente sendo cercados? — Bianca murmurou, divertida. — Isso é o equivalente corporativo a “vem sentar na nossa mesa”.

Lucas riu baixo. — Ele gosta disso. — disse, apontando discretamente para Rafael. — Finge que não, mas gosta.

Rafael ignorou o comentário. — Aproveitem. — disse apenas. — Isso aqui não acontece sempre.

Bianca inclinou-se na direção de Valentina. — Você tá ótima. — sussurrou. — Não só linda. No lugar certo.

Valentina respirou fundo. — Estou tentando não atrapalhar.

Bianca fez uma careta. — Você não atrapalha. Você estabiliza.

Antes que Valentina respondesse, um novo convite surgiu. Outro grupo. Outro contato. Outro interesse.

Rafael tocou de leve as costas dela — um gesto quase imperceptível, mas firme o suficiente para guiá-la junto.

— Vamos. — disse, baixo.

E ela foi.

Sem hesitar.

A noite começou a perder o brilho alto e assumir um tom mais íntimo.

Não porque o salão estivesse esvaziando — ainda havia conversas, risos contidos, copos sendo servidos —, mas porque as decisões importantes já tinham sido feitas. O que restava agora eram confirmações sutis, despedidas estratégicas, promessas que não precisavam ser ditas em voz alta.

Valentina percebeu antes de Rafael que o ritmo tinha mudado.

Ela observou Yamamoto se afastar em direção a outro grupo, Akemi e Hana conversando tranquilamente com duas mulheres europeias, Lucas e Bianca rindo perto de uma das colunas laterais do salão.

— Acho que é o momento. — disse, baixo, inclinando-se levemente para Rafael.

Ele entendeu de imediato. — Sim.

Caminharam até Lucas e Bianca sem pressa, atravessando o salão como quem já não precisava provar nada a ninguém.

— Vocês sobreviveram. — Bianca comentou, com um sorriso cansado, mas satisfeito. — Isso é um bom sinal.

— Você também. — Valentina respondeu. — Não matou ninguém no caminho.

Valentina sustentou o olhar por mais um instante… e cedeu. — Tá bom.

Lucas sorriu de lado. — Amanhã a gente se fala. — disse novamente, agora com outro tom.

— Amanhã. — Rafael respondeu.

Bianca acenou com a mão. — Boa noite, senhora Montenegro.

Valentina retribuiu. — Boa noite.

Eles se afastaram do salão juntos.

O corredor que levava aos elevadores era mais silencioso, iluminado por luzes indiretas, longe do burburinho elegante do evento. O som do baile ficou para trás como um eco distante.

Valentina caminhava tranquila, sentindo finalmente o peso do dia chegar aos ombros.

— Eu realmente esqueci a bolsa. — comentou, ainda com um sorriso pequeno. — Isso nunca acontece.

— Acontece quando você está cansada. — Rafael respondeu.

— Ou quando a noite foi longa demais. — ela completou.

Chegaram diante do elevador.

Valentina apertou o botão. O painel acendeu. O silêncio entre eles não era desconfortável — era cheio de coisas que nenhum dos dois nomeava.

O elevador chegou com um som suave. As portas se abriram.

Rafael fez um gesto para que ela entrasse primeiro. Valentina entrou.

Ele entrou logo atrás.

O botão do andar foi pressionado. As portas começaram a se fechar lentamente.

E, no instante exato em que o salão desapareceu atrás delas, o mundo pareceu diminuir de tamanho.

As portas se fecharam.

— ding —

Silêncio.

E o elevador começou a subir.

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