Taylor fechou os olhos por um instante, como se aquele contato fosse a única coisa que importava no universo.
Apertou-a contra o peito, mas com cuidado redobrado, consciente da vida que crescia entre eles.
— Eu sei, meu amor… — sussurrou, com a boca roçando a têmpora dela. — Desculpa ter demorado.
Ela não respondeu. Só respirou profundamente, enchendo os pulmões do cheiro dele, como se estivesse recarregando alguma bateria interna que tinha ficado no vermelho enquanto ele estava longe.
O corpo inteiro dela finalmente relaxou.
Na varanda, Catarina observava a cena com um sorriso bobo no rosto, o celular já em mãos, discretamente gravando tudo.
— Se isso não é amor, eu não sei o que é — comentou, mais para si mesma.
Maurício se aproximou da noiva se sentando ao seu lado, puxando Catarina para seu colo e a abraçando.
— Eu disse pra ele que, se não voltasse, ia acabar ficando viúvo antes de casar. — murmurou fazendo Catarina gargalhar.
— Deixa ela.
Lá de dentro, Maria surgia na porta com um pano de prato nas mãos, e os olhos marejados sem sequer tentar disfarçar.
— Meu Deus… olha isso… — sussurrou. — Agora minha menina vai voltar a sorrir.
— E o jeito que ela agarra ele — completou Sophia, surgindo logo atrás, um sorriso emocionado e orgulhoso. — Se esses dois um dia se separam, o mundo entra em colapso.
Isabella se aproximou da amiga e disse:
— Agora sim, esses casamentos vão acontecer.
Lá embaixo, sem se importar com o público, Taylor ajustou Lila mais confortavelmente nos braços, as mãos grandes apoiadas firmes, como se nada nem ninguém fosse arrancá-la dali.
Ele afastou o rosto só o suficiente para olhar para ela.
Os olhos dela estavam vermelhos, as bochechas úmidas, o nariz levemente corado. Linda de um jeito que só quem está vulnerável consegue ser.
Ele sorriu.
— Deixa eu ver vocês — pediu, abaixando o olhar para a barriga.
Lila fungou, mas sorriu também. Uma das mãos dele soltou as costas dela apenas o necessário para acariciar o ventre arredondado por baixo da camisa. O polegar desenhou um círculo lento ali, reverente, como se estivesse tocando um milagre.
Ele ergueu o rosto de novo, e então a beijou.
Não foi um beijo apressado, nem desesperado, nem castigador.
Foi intenso, sim. Mas tinha ternura, desculpa, promessa. A mão dele subiu até a nuca dela, os dedos se enredando nos fios do cabelo, trazendo-a mais para perto.
Lila respondeu na mesma medida, os lábios encontrando os dele com fome de saudade, com o peso de todas as noites em que ela tinha imaginado esse exato momento.
Quando se afastou, ofegante, ainda com os olhos molhados, ele encostou a testa na dela.
— Eu também, meu amor — sussurrou, com a voz baixa, carregada de verdade. — De vocês três.
Ela mordeu o lábio, sentindo outra onda de emoção subir. O bico fofo ameaçou voltar, mas dessa vez foi diferente. Não tinha raiva. Só sensibilidade à flor da pele.
— Eu fui meio louca, né? — confessou, num meio sorriso sem graça. — Liguei pra você, vi uma ruiva, surtei, desliguei na sua cara… chorei no ombro da sua irmã… ameacei psicologicamente a Rússia inteira na minha cabeça…
Ele soltou uma risada baixa, encostando o nariz no dela.
— Só um pouquinho — provocou. — Mas eu liguei pro Maurício, ele me deu um manual de grávidas em cinco minutos. Disse que se eu não aparecesse aqui com flores, beijo e humildade, você ia me enterrar atrás do curral.
— Ele não tava errado — Catarina gritou da varanda, levantando a mão. — Tô aqui de testemunha.
Lila riu no peito dele, o som abafado pela camisa.
— Eu confio em você, tá? — disse, um pouco mais séria agora, os dedos desenhando linhas no pescoço dele. — Eu só… entrei em curto. A ruiva, a distância, os hormônios… é como se meu cérebro tivesse saído de férias sem me avisar.
Taylor a segurou um pouco mais forte, como se quisesse que ela sentisse cada palavra.
— Eu sei. E vou repetir quantas vezes for preciso: não existe ruiva, loira, morena, russa, americana ou marciana que me faça olhar pra qualquer lugar que não seja você. — falou, direto, sem pausa. — Você é a mulher com quem eu quero envelhecer, Lila. Você e esses dois aqui — a mão voltou à barriga — são o meu começo, meio e fim. E se eu tiver que fazer uma chamada de vídeo com a intérprete vestida de burca pra você ficar tranquila, eu faço.
Ela gargalhou, de verdade dessa vez, a risada invadindo o peito dele como uma pequena explosão de alívio.

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