Tomás e Clara tinham se casado numa cerimônia simples, na própria fazenda.
Nada de exageros. Só flores do campo, luzinhas penduradas nas árvores, mesas compridas, comida farta, música boa e muita risada.
Clara usou um vestido leve, o cabelo preso de forma despretensiosa, e um olhar tão apaixonado para Tomás que até Lila chorou de soluçar.
— Eu não sei o que me emociona mais — cochichou Lila para Catarina, com Lucas no colo e Luna mordendo seu ombro — saber que ele vai ser feliz ou saber que ele não volta mais pra cidade.
Tomás aderiu à vida no campo com uma rapidez surpreendente.
Morava agora na casa que Taylor tinha dado de presente, uma construção charmosa com varanda, rede e jardim que Clara insistia em encher de flores.
— Eu achava que ia sentir falta de asfalto — ele admitiu um dia, sentado no degrau da varanda com uma xícara de café. — Mas descobri que gosto mais de cheiro de terra molhada do que de fumaça.
— E de ver a Clara andando descalça por aqui, né? — provocou Taylor.
Ele riu.
— Também.
Luna, com seus seis meses, era oficialmente o grude do pai.
Oito quilos e qualquer coisa de teimosia. Bochechas redondas, olhos azuis enormes e curiosos, os cachinhos loiros que teimavam em ficar assanhados. Bastava ela fazer um bico que Taylor derretia.
— Você é fraco. — acusava Lila, divertindo-se.
— Eu sou apaixonado. — ele corrigia, sem vergonha.
Luna chorava quando queria colo.
Chorava quando Taylor saía do campo de visão.
Chorava quando o pai resolvia brincar demais com Lucas e esquecia dela por cinco segundos.
A única pessoa com quem ela não implicava nunca era Lila.
Tolerava a mãe pegando no colo, mandando beijo, organizando as coisas. Ficava só observando com cara de “ok, você paga as contas de leite, pode ficar”.
Curiosamente, amava ver os pais se beijando.
Toda vez que Taylor puxava Lila pela cintura na cozinha e encaixava um beijo demorado, Luna parava, arregalava os olhos e observava como se estivesse assistindo a um documentário fundamental sobre o comportamento humano.
Lucas era o oposto da irmã.
Um bebê doce, tranquilo, risonho. Se Luna era trovão, ele era pôr do sol.
Tinha herdado os traços do pai, mas com uma suavidade que deixava tudo ainda mais perigoso: fios loiros claros, olhos azuis, queixo marcado e um sorriso que aparecia fácil, daqueles que desmontam qualquer defesa.
— Pronto — suspirava Lila, olhando para ele no berço, depois para Luna dormindo com a bochecha esmagada no travesseiro. — Minha filha vai tocar o terror e meu filho vai ser o crush da geração. Eu mereço.
Taylor ria, abraçando os três ao mesmo tempo quando podia.
— A gente dá conta.
— Eu sei — ela sorria. — Mas eu vou rosnar pra metade da humanidade, só pra garantir.
Numa tarde morna, típica depois da chuva, o cheiro de terra molhada ainda subia do chão. O céu estava limpo, as nuvens afastadas, e um vento leve circulava pela fazenda.
Diablo, imponente, estava selado no meio do pasto perto da cerca. Taylor, com o chapéu de abas largas e a camisa xadrez aberta nos primeiros botões, segurava a rédea com uma mão.
Na outra, acomodada contra o peito, estava Luna.
Ela vestia um macacão jeans minúsculo, com botõezinhos prateados, uma camiseta branca e um coletezinho de camurça. Nos pés, botinhas de couro em versão miniatura. Na cabeça, um chapéu de cowboy tão pequeno que parecia de brinquedo, mas que ela mantinha firme, orgulhosa.
Os cabelos loiros macios batiam na testa. Os olhos azuis brilhavam.
— Pronta, minha cowgirl? — Taylor perguntou, ajeitando-a com cuidado no braço.
Ela bateu palminhas, animada.
— Pá-pai! Pá-pai! Pááá-pai!
O som saiu embolado, mas perfeito.
Ele quase derreteu.
— É isso mesmo. Papai. — repetiu, encostando o nariz no dela.
Com a ajuda de Gabriel, que estava por perto fingindo arrumar algo na cerca, Taylor montou em Diablo devagar, com Luna presa ao peito por um suporte de couro macio que Lila tinha mandado fazer com mil exigências de segurança.
— Se essa garota cair… — Lila tinha dito — você dorme na cocheira com ele.
Agora, vendo a cena da varanda, ela suspirava, com o coração apertado e feliz na mesma medida.
Lucas estava no seu colo, usando uma calça azul claro e uma camiseta com estampa de cavalinhos. Os olhos também azuis seguiam cada movimento do pai no cavalo, o corpo inteiro inquieto.
Taylor deu um leve toque nas rédeas, fazendo Diablo andar devagar, em círculos curtos.
— Olha lá, Luna. — ele apontava. — Esse é o Diablo. Mas ele é bonzinho, viu? Ele conhece você desde que você era só um chute na barriga da mamãe.
Luna batia as mãos no peito dele, rindo, as bochechas coradas.
— Pá-pai! Cavo! Pá-pai!
— Cavalo. — ele repetiu, encantado. — Isso. Cavalo. E quem manda nesse cavalo aqui é você, entendeu?
Da varanda, Lila balançava, segurando Lucas com um braço e apoiando o pé na grade de madeira.
— Olha o papai, amor — falou, beijando a cabeça do menino. — Olha Luna toda exibida.

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