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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 296

O tempo entre o “eu faço o parto” de Dona Emília e o primeiro choro parecia ter durado uma eternidade e cinco minutos ao mesmo tempo.

A casa virou um quartel-general improvisado.

Maria corria da cozinha para o quarto com toalhas quentes empilhadas nos braços, o avental manchado de farinha e água. Catarina segurava a mão de Lila, respirando junto, suando quase tanto quanto ela. Taylor fazia tudo e nada.

Ele andava de um lado para o outro, entrando e saindo do quarto, tentando ajudar, atrapalhando lindamente.

— Eu trago mais travesseiro? Água? Gelo? Um médico? — ele disparava.

— Traz juízo! — rosnou Maria, passando por ele feito um furacão de cinquenta quilos.

Lila deitada na cama, com os cabelos colados na testa, o rosto vermelho, respirando fundo. Entre uma contração e outra, ainda encontrava forças para ser ela mesma.

— Taylor, se você desmaiar antes de mim, eu juro que levanto só pra te bater. — avisou.

— Eu não vou desmaiar. — ele disse, com o queixo erguido… e a mão tremendo.

Outra contração veio como uma onda grossa, intensa, rasgando qualquer resquício de controle. Lila apertou a mão de Catarina com tanta força que a cunhada fez careta.

— Ai, meu Deus… — murmurou Lila.

Dona Emília estava aos pés da cama, concentrada, com as mangas arregaçadas, e o olhar de quem estava acostumada a ver a vida chegar pela porta da frente e pelos fundos.

— Isso, minha filha — dizia com firmeza — respira e grita se precisar. Homem grita por causa de unha encravada, mulher pode gritar parindo dois de uma vez.

Catarina riu nervosa.

— Tá indo bem, Lila. Tá indo muito bem.

Taylor se aproximou da cama, ajoelhou ao lado da esposa e segurou o rosto dela com as duas mãos, e os olhos azuis marejados.

— Você consegue, amor. Você é a mulher mais forte que eu já vi. Você enfrentou ciúme, ruiva, agora é só mais um desafio.

Ela abriu um dos olhos e o encarou.

— Só mais um desafio? — repetiu, indignada.

— Ok, um desafio grande. Dois. Desafios gêmeos. — corrigiu, apavorado.

Ela riu e chorou ao mesmo tempo, sentindo o corpo inteiro tremer.

Do lado de fora, passos apressados ecoaram pelo corredor. A porta se abriu com estrondo.

Maurício apareceu esbaforido, descabelado, com a camisa torta… e a parteira entrando tranquila atrás dele, com a bolsa de couro na mão.

— EU TROUXE! — ele anunciou, triunfante, com a dicção ainda meio torta de quem não tinha tido tempo de ficar sóbrio.

Dona Emília nem olhou.

— Chegou tarde, meu filho. — decretou. — Agora é comigo.

A parteira ergueu as mãos.

— Eu ajudo como puder, Dona Emília.

— Então ajuda alguém a acalmar esse povo, que a mãe aqui eu resolvo. — respondeu, sem tirar os olhos de Lila.

Maurício tentou se aproximar da cama.

— Como é que tá? — perguntou, pálido.

Maria apontou para a porta.

— Tá na hora de você ir pra varanda, fazer promessa pra santo. Deixa as mulheres trabalhar.

Ele abriu a boca para responder, mas Catariana só apontou para fora com um olhar que dizia: “se você falar mais uma palavra, eu te enterro vivo”.

— Tá. Tô indo. — murmurou, recuando.

O tempo, a partir dali, virou uma sequência de flashes.

O aperto da mão de Lila na de Catarina.

Os sussurros de Maria.

As orações silenciosas de Dona Emília.

A voz trêmula de Taylor dizendo “você consegue” entre uma respiração e outra.

E então, de repente, como um raio rasgando o silêncio, veio o som.

Um choro agudo, forte, límpido.

O primeiro.

Lila sentiu o mundo girar e parar ao mesmo tempo.

Taylor ficou imóvel, como se a própria alma dele tivesse prendido a respiração.

Logo em seguida, outro choro. Diferente. Mais grave, meio irritado, como se já estivesse reclamando do atraso.

Dois choros.

Dois.

— É isso. — murmurou Dona Emília, com um sorriso vitorioso, a testa brilhando de suor, mas os olhos cheios de brilho. — Bem-vindos, meus anjinhos.

Maria fungou alto, encostando-se na parede para recuperar o fôlego.

Catarina chorava sem nem tentar disfarçar.

Lila, exausta, não sabia se ria ou desmoronava. A única coisa que sabia era que tinha conseguido, que eles estavam ali. Que o mundo nunca mais seria o mesmo.

Taylor, em pé ao lado da cama, parecia ver tudo em câmera lenta.

Viu Dona Emília pegando um pacotinho vermelho e molhado, limpando devagar com uma toalha macia.

Viu Maria trazer outra toalha.

Viu a parteira dar instruções calmas.

Viu, sem conseguir se mexer.

Até que a voz de Dona Emília atravessou o torpor dele:

— Pai.

Ele piscou.

— Hã?

— Vem cá, pai. — repetiu, com firmeza. — Vamos aprender a segurar sua menina.

Menina…

Ele engoliu seco.

Deu um passo à frente.

Dois.

Três.

Quando chegou perto, viu melhor.

Ela era pequena… mas não tão pequena assim. Gordinha, bochechas cheias, pele ainda rosada do esforço de chegar ao mundo. Tinha um rolinho de cabelo loiro claro grudado na cabeça, meio úmido, meio arrepiado. Os olhinhos espremidos, a boquinha aberta protestando.

— Essa aqui é a Luna. — disse Dona Emília, colocando a pequena nos braços dele com uma prática que parecia magia. — Segura assim, apoia a cabeça… isso. Não deixa cair, que dá trabalho fazer outro.

Ele soltou um meio riso nervoso.

O peso dela era surpreendente. Não era quase nada e era tudo ao mesmo tempo. Cabia inteira no antebraço dele e, ao mesmo tempo, ocupava um lugar dentro do peito que jamais seria esvaziado.

— Oi, Luna… — a voz saiu falha, raspando. — Eu… sou seu pai.

Ela chorava forte, revolta com a mudança de endereço uterino.

Ele, por reflexo, começou a balançar de leve, como se tivesse feito aquilo a vida toda.

— Ei, ei, calma… tá tudo bem, meu amor. Papai tá aqui. — murmurou, completamente rendido.

Lila abriu um sorriso cansado, as lágrimas escorrendo silenciosas.

— Ela tem seu gênio. — comentou, com a voz fraca. — Já chegou reclamando.

— Puxou a mãe. — ele respondeu, sem pensar.

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