Taylor ficou parado encarando a tela preta, com a boca aberta, paralisado como se o universo tivesse acabado de lhe dar um tapa com luva de veludo e escrito IDIOTA em letras maiúsculas na testa.
— Não. — ele murmurou, completamente em choque. — Não, não, não. Ela desligou. Ela desligou NA MINHA CARA.
Havia oito pessoas na sala. Todas começaram a fingir que eram invisíveis.
A intérprete engoliu seco.
O diretor fingiu reorganizar papéis que nem existiam. Alguém tossiu só para parecer ocupado.
Taylor apertou o botão de chamada novamente.
Chamada recusada.
Ele tentou de novo.
Recusada.
Mais uma.
Bloqueada temporariamente.
— NÃO!!! — Taylor sussurrou em pânico, batendo a mão na mesa. — NÃO ME BLOQUEIA, PELO AMOR DE DEUS, MULHER.
A intérprete, com muito medo de existir, tentou ajudar:
— Talvez… você precise… de um minuto?
Ele fechou o laptop com um movimento rápido demais para ser educado.
— Eu preciso de terapia, de oração e de um plano de sobrevivência. — resmungou, já levantando.
Trinta segundos depois, Taylor estava fora da sala, andando apressado pelo corredor do prédio corporativo em Moscou, com o celular no ouvido e a expressão de um homem prestes a ser executado.
Ele discou para Maurício.
Uma.
Duas.
Três vezes.
E nada do cunhado atender. Voltou a caminhar pelo corredor da empresa em passos longos, rápidos, quase militares, como se andar mais rápido fizesse a ligação conectar antes. O terno caro estava desabotoado, a gravata meio torta, o cabelo um caos e o olhar focado como quem está prestes a entrar numa operação de resgate emocional, psicológica e possivelmente física.
Quando o amigo finalmente atendeu, Taylor nem esperou o “alô”. Ele entrou gritando:
— PELO AMOR DE DEUS, ME EXPLICA O QUE TÁ ACONTECENDO NA CABEÇA DA MINHA MULHER!
Maurício piscou diante do volume.
Tomás, sentado ao lado dele na varanda, imediatamente colocou o dedo na boca para mandar silêncio para… ninguém, porque ninguém ali pretendia atrapalhar o show.
— Calma. — Maurício respondeu, já sorrindo. — Me conta o que aconteceu.
Taylor começou a andar em círculos, uma mão segurando o celular, a outra nos cabelos, coisa que ele só fazia quando o cérebro estava oficialmente pegando fogo.
— Eu atendi a chamada, certo? Até aí paz, amor, saudade, tudo bem. A Lila estava linda, radiante, comendo um doce de açúcar igual se aquilo fosse oxigênio. Normal dela. Eu estava feliz.
— Aham.
— Eu estava numa reunião, Maurício. UMA REUNIÃO DIPLOMÁTICA. A intérprete entrou. Só isso. Só entrou. ENTROU. NADA MAIS.
Maurício mordeu o lábio para segurar o riso. E Tomás resolveu se meter na conversa.
— Ela era bonita?
Taylor parou no corredor. Virou lentamente como quem é atingido por um tiro moral.
— Tomás?
— Sim, responde logo cunhado, ela era bonita?
— O QUÊ QUE ISSO IMPORTA?
— Importa, sim. — Tomás afirmou com calma clínica. — Porque Lila está grávida e os hormônios estão a flor da pele, e ver uma mulher bonita ao lado do noivo faz seu cérebro ferver.
— Obrigado pela ajuda seu viado de merda!
— Mas o que foi que finalmente aconteceu? — perguntou Maurício segurando o riso.
— Ela só trouxe um tablet para eu assinar uns documentos. Depois, cumprimentou a Lila cordialmente.
— Ih… cumprimentou a minha irmã? Você está ferrado cunhado!
— CALA A PORRA DA BOCA TOMAS!
Maurício respirou fundo como quem prepara diagnóstico médico:
— E o que você disse para ela?
Taylor parou no meio do corredor.
Abriu os braços como se explicasse para um júri federal.
— Eu disse: “Amor, é só a intérprete.”
Maurício ficou calado.
— Aí ela disse: “Intérprete magra, descansada e com DECOTE?” — Taylor fez aspas no ar, indignado. — Maurício, EU NEM VI DECOTE NENHUM.
Tomás estava chorando de rir.
Maurício tossiu para recuperar a aparência madura.
— Certo. E depois…
Taylor fechou os olhos. Doía só de lembrar.
— Ela disse que eu estava “trancado com uma ruiva russa no escritório. Sendo que tinham OITO pessoas na sala.
Ele ergueu o celular como se pedisse clemência ao universo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário