Quando saíram da clínica, parecia que até o sol tinha sido informado do resultado e decidido caprichar. O brilho estava mais vivo, mais quente, mais… celebrado. O vento soprou no rosto de Lila com um frescor que parecia trazer um recado suave:
"Vocês vão dar conta."
Lila caminhava devagar, enlaçada no marido, com o corpo leve e o coração cheio até a borda. Taylor, entretanto, não conseguia disfarçar o sorriso gigante estampado no rosto, aquele sorriso que só aparecia quando algo realmente o derrubava de amor.
Catarina, é claro, não esperou nem três passos para desbloquear o celular.
— GENTE-E-E-E!!! — berrou antes mesmo de abrir a porta do carro. — Atenção, atenção, todo mundo da fazenda, linha direta da maternidade emocional! Segura essa: SÃO GÊMEOS! UM CASAL! REPITO: UM CASAL! A FAZENDA VAI DOBRAR DE AMOR E EU VOU DESMAIAR!
O viva-voz estourou em gritos, risadas, e alguém, que parecia a Suze, gritou ao fundo:
— Me manda o tamanho das roupinhas que eu tô comprando AGORA!
Outra voz, provavelmente de Tomás:
— Já estamos preparando o churrasco! AVISA QUE PELO MENOS UM É CAMPEÃO NASCENDO, NÉ?
Lila tapou o rosto com as mãos, rindo em meio ao choro.
— Meu Deus… ela vai avisar o país inteiro!
Taylor a puxou pela cintura e beijou sua têmpora.
— Que bom. — disse, com um brilho tão puro que doía de lindo. — Assim o mundo já se prepara para quantidade absurda de amor que vem aí.
Ela levantou o rosto, derretida, e com o coração quente.
— Taylor… eu tô com medo.
Ele a olhou como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— Eu também. — confessou com um sorriso terno. — Mas é o melhor medo que existe. É o tipo de medo que significa que a gente tem algo grande demais pra perder… e grande demais pra agradecer.
Lila chorou e riu ao mesmo tempo, encostando o rosto no peito dele.
— Dois corações, Taylor…
— E o meu batendo por vocês três. — respondeu, com a voz mais bonita que ela já tinha ouvido.
O caminho de volta à fazenda foi um espetáculo à parte.
No banco traseiro, Catarina narrava tudo como se estivesse fazendo um documentário da National Geographic sobre a vida selvagem do interior.
— A raríssima espécie “Papai Apavorado” foi avistada hoje — disse, filmando Taylor. — Observem suas reações: suor nas mãos, olhar perdido, sorriso bobo e uma vontade inexplicável de comprar uma camionete maior “porque vai ter que caber tudo”.
Taylor bufou, mas estava tão feliz que nem sabia fingir.
— Catarina, se você não guardar esse celular…
— Eu vou guardar, sim — ela interrompeu, e então completou com uma voz alta para a câmera: — no álbum chamado: Melhores momentos da vida do meu irmão e da minha cunhada.
Lila ria sem conseguir parar.
— Me dá esse celular aqui! — Taylor tentou pegar, mas Catarina se jogou no banco como uma adolescente, gritando:
— NUNCA! Sou o cinema desta família!
Quando o carro entrou pelo portão da fazenda, o céu estava pintado em tons de lavanda e rosa, como se o próprio dia tivesse decidido encerrar com delicadeza depois de tanto impacto emocional.
Catarina saiu do carro antes que ele parasse por completo.
— ATENÇÃO, MUNDO RURAL!!! — anunciou como uma apresentadora profissional. — A família Remington ACABOU DE DOBRAR DE TAMANHO! PREPAREM AS FRALDAS, A CHAMPANHE E AS ORAÇÕES QUE VAI PRECISAR DE TUDO!
Maria saiu da cozinha limpando as mãos no avental, o rosto iluminado.
— Eu sabia! — exclamou, abraçando Lila com força. — Deus sempre dá em dobro quando a gente ama em dobro!
Catarina começou a pular ao lado, abraçando Maria junto.
— Em DOBRO, Maria! VOCÊ OUVIU? EU TÔ EM CHOQUE ATÉ AGORA!

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