Os dias seguintes correram tão rápidos que pareciam escorregar entre os dedos, como se o relógio estivesse apressado para ver no que toda aquela loucura resultaria. A fazenda, normalmente calma e ritmada pelo canto dos pássaros e pelo som dos cascos no pasto, ganhou uma vibração diferente. Havia música baixa vinda do quarto de hóspedes, gritos esganiçados de felicidade ecoando pelos corredores, e risos… muitos risos.
A culpa tinha nome: Suze Sinclair.
Durante três dias, ela reinou absoluta na fazenda.
Cada manhã começava com um grito:
— Bom dia meninas!
E Lila, que estava com os hormônios fazendo acrobacias internas, só conseguia olhar para Catarina e, inevitavelmente, rir.
Até que, no quarto dia, o inevitável aconteceu: Suze foi embora. Mas não antes de tirar muitas casquinhas de um peão chamado Raul.
Na madrugada de sua partida, ela abraçou Lila como se estivesse a reencontrando pela última vez na vida:
— Amiga… eu deixei tudo agendado. A festa vai ser icônica. Eu voltarei no dia, claro. Preparada, maquiada, hidratada e… — ela piscou — com reforços.
— Reforços? — Lila perguntou, já cansada de sentir o coração subir para a garganta cada vez que Suze dizia algo.
— Você não acha que eu vou deixar você entrar nessa festa sem… suporte emocional, né? Outra coisa, cuida do Raul pra mim, eu volto logo.
Lila colocou a mão na testa e Catarina gargalhou. Suze entrou no carro e sumiu estrada afora como se estivesse fugindo de um incêndio que ela mesma tivesse acendido.
E assim, a calma voltou…
Por meia hora.
No dia seguinte, foi a vez de Tomás transformar a fazenda em uma zona de planejamento. Aproveitou que a irma e Catarina tinham ido almoçar na casa de dona Emília, mãe de Mauricio e arrastou um quadro branco para a varanda, colocou cadeiras como se estivesse reunindo uma equipe de produção de filme e anunciou com um brilho no olhar:
— É oficial! A despedida de solteiro de vocês dois vai ser histórica!
Maurício engasgou com o café.
— Histórica para quem? Pro cemitério?
Taylor, que acabava de entrar, ouviu o último pedaço e soltou um:
— Não.
Tomás ignorou os dois como quem ignora mosquitos numa noite quente.
— Atenção! — ele ergueu as mãos. — Essa despedida será épica, elegante, divertida, mas também seletiva. Ninguém vai sair daqui capado pela Catarina, nem morto pela Lila.
Taylor se sentou, massageando a nuca.
— Posso saber o que exatamente você está planejando, Tomás?
Tomás sorriu como quem aprendeu com Suze a arte do suspense.
— Vai ser uma noite inesquecível. Já tenho o local. Já tenho música. Já tenho uma surpresa especial.
— Surpresa especial? — Taylor e Maurício perguntaram em uníssono.
— Relaxa… — Tomás piscou. — Não envolve strippers. Só… cultura.
Taylor estreitou os olhos.
— Cultura no seu vocabulário tá ficando preocupante.
Maurício concordou:
— Eu já tô até vendo a confusão chegando.
Tomás sorriu mais ainda.
— Confusão só existe quando falta planejamento. E eu planejei tudo!
Ninguém acreditou muito nisso.
Depois de um tempo, Tomás deixou o cunhado e o amigo sozinhos e saiu para cavalgar. Enquanto os homens discutiam sobre formas de não morrer antes do casamento, algo muito mais quente, mais secreto e infinitamente mais engraçado, acontecia longe das vistas de Taylor e Maurício.
Clara e Tomás.
Ou melhor… Clara com Tomás.
Ou ainda… Clara em cima de Tomás.
Era noite. O celeiro estava silencioso, iluminado apenas pelo luar filtrado pelas frestas das tábuas. O cheiro de feno preenchia o ar. Clara tinha os cabelos bagunçados, o rosto ruborizado, e Tomás estava com a camisa aberta, sorrindo daquele jeito metido que só ele conseguia.
— Você é impossível — Clara sussurrou, mordendo o lábio, ainda sem acreditar no que estavam fazendo.
— E você adora isso — ele murmurou, puxando-a de volta para o beijo.
Eles estavam tão perdidos no momento que nem notaram os passos se aproximando. Nem o suspiro. Nem a respiração surpresa.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI MEU DEUS DO CÉU?!
Maria.
A única pessoa no universo que conseguia gritar e cochichar ao mesmo tempo.
Clara soltou um gritinho. Tomás quase caiu do fardo de feno. Os dois pularam como se tivessem sido flagrados cometendo um crime federal.
E Maria… parou, colocou a mão no peito e depois na cintura.
— No meu celeiro? MEU CELEIRO? — ela repetiu, chocada, mas com a voz carregada de algo entre indignação e orgulho maternal. — Vocês perderam a vergonha foi de vez.
Tomás ajeitou a camisa, corando como nunca fora visto.
— Dona Maria… a gente… é que…

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