O sol da manhã nascia preguiçoso, dourando os campos ao redor da fazenda, quando um carro branco metálico cortou a estrada de terra levantando poeira e curiosidade.
Não era comum um veículo tão brilhante e sofisticado aparecer por aquelas bandas. O carro estacionou diante da porteira principal, e o som de uma buzina curta anunciou sua chegada triunfal. A porta se abriu e, como se saísse de um comercial de perfume, surgiu Suze Sinclair usando óculos escuros enormes, batom vermelho intenso e um sorriso que dizia “preparem-se para o caos”.
Ela usava um short de alfaiataria branco, camisa de malha azul-clara amarrada na cintura, sandálias plataforma cor caramelo e um lenço floral amarrado ao pescoço.
O cabelo preto, cortado em um chanel elegante, brilhava sob o sol. Na mão, uma mala grande, estilosa, coberta de adesivos de viagens e etiquetas de hotéis caros.
— Preparadas ou não, minhas caipiras preferidas, aqui estou eu! — anunciou, tirando os óculos com um gesto dramático.
Lila, que estava na varanda com Catarina, engasgou de tanto rir.
— Suze! Meu Deus, você realmente veio!
Suze abriu os braços como quem chegava ao palco.
— Mas é claro que vim, querida! Você acha que eu perderia a chance de trazer civilização e um pouco de glamour pra essa fazenda?
Catarina riu, já descendo os degraus.
— Civilização? Aqui é o paraíso, minha filha. Só faltava você pra acabar com a paz.
— Ah, amor, paz é superestimada. Eu vim pra agitar! — disse Suze, com aquele sotaque cosmopolita que parecia morder as palavras. — Aliás, Lila, antes de eu chegar aqui, eu cruzei com com o seu cowboy na entrada da fazenda…
Ela parou por um instante, colocando a mão no peito e se abanando com o próprio lenço.
— Com todo o respeito, amiga… não me lembrava que o Taylor era tudo aquilo.
Lila arregalou os olhos.
— Pois fique sabendo minha amiga, que esse cowboy já tem dona.
— Claro que tem, mas pode ficar tranquila amiga, porque euzinha já tenho o meu boy magia.
— O que? Suze Sinclair está namorando?
— Qual o problema, querida? Se Lila Montgomery a megera indomável foi laçada por um cowboy gostosão, tudo é possível.
— E posso saber quem é o felizardo?
— Hum… por enquanto, ainda é segredo.
Lila sorriu e Suze continuou:
— Catarina, minha amiga, faz tempo que não nos vemos. — Suze se aproximou de Catarina a envolvendo num abraço apertado. — Também minha querida com um peão daquele,eu não sairia de cima.
— Suze pelo amor de Deus! — Lila repreendeu gargalhando.
Catarina gargalhou alto, se afastando do abraço e disse:
— Pois é amiga, eu não saio mesmo! Bem-vinda à fazenda, Suze. Aqui o calor é natural e os homens também.
— Eu percebi! — disse Suze, rindo e se abanando de novo. — Se esse é o padrão rural, eu estou reconsiderando minha vida na cidade.
Lila balançou a cabeça, rindo sem conseguir disfarçar o rubor.
— Você continua igualzinha. Um furacão com salto alto.
— Querida, o salto é minha arma secreta. E por falar em segredos… — ela baixou o tom, aproximando-se conspiradora. — Vim com uma missão: organizar a despedida de solteira mais inesquecível que já existiu.
Catarina arregalou os olhos, animada.

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