— E fiz até lista. Porque profissionalismo é tudo.
Catarina se aproximou como uma criança vendo um tesouro enterrado.
— Mostra! Mostra! — Ela puxou o caderno e abriu na primeira página. — Meu Deus… você desenhou mapa, paleta de cores, e até o “trajeto ideal das convidadas para fotos instagramáveis”?
— Planejamento é tudo, querida. — Suze ajeitou o lenço no pescoço com pose de apresentadora de reality show. — E detalhe: página cinco… dançarinos. Página seis… fantasias temáticas. Página sete… o momento do escândalo.
Lila bateu no caderno com as pontas dos dedos.
— Tá maluca? Eu não vou causar escândalo nenhum!
Catarina deu um passo à frente, se divertindo com o embaraço da cunhada.
— Ei, ei… mas isso aqui… — ela virou a página e apontou para uma parte destacada — …eu gostei! “Dançarinos vestidos de cowboy.” Lila, isso é a sua cara!
— Catarina! — Lila quase engasgou. — Eu já tenho um cowboy, obrigada!
— Eu sei, eu também, mas… imagina cinco homens sarados dançando com chapéu? — Catarina provocou, rindo até dobrar o corpo.
Lila cobriu o rosto com as mãos.
— Eu não vou sobreviver a essa despedida…
Suze pôs as mãos nos quadris, satisfeita como uma rainha coroada.
— Tá vendo? Vocês duas já estão no clima! E isso porque eu nem falei da cabine de fotos com cenário “cama com lençóis de seda”.
— Nem ouse. — Lila ergueu o dedo.
Catarina, porém, estava acesa como pavio de fogos de artifício.
— Eu voto sim! E quero também luzinhas penduradas, música, aqueles drinks com glitter comestível, e talvez… talvez um showzinho.
— Um showzinho? — Lila repetiu, horrorizada e rindo ao mesmo tempo. — Catarina, pelo amor de Deus, você também vai casar.
— Justamente! E por isso merecemos diversão, minha querida. — Ela girou sobre si mesma como se já estivesse na pista de dança. — E um showzinho leve, educativo, cultural…
— Cultural? — Lila quase tropeçou de rir. — Desde quando dançarino de striper é cultura?
— Desde que Suze Sinclair pisa fica responsável pela nossa despedida de solteito. — Catarina devolveu.
Suze inclinou a cabeça, com seu sorriso de quem vende sonho, caos e um pouco de glitter.
— Olha, Lila… você vai casar, e isso por si só é um motivo de comemoração. Serão seus últimos momentos de liberdade.
— Tá… — ela começou devagar, mordendo o lábio. — Talvez… um jantar temático seria legal. E música suave. E nada de homens tirando a roupa.
— Humm… define suave. — Suze cutucou.
— Suze! — Lila riu.
Catarina bateu palmas forte, quase saltitando.
— Então tá! A festa vai ser linda, animada, cheia de luzes e sem striptease completo. Só parcial.
— Catarina! — Lila levou a mão ao peito. — Meu Deus…
— Tô brincando… ou não. — Ela deu uma piscadinha.
As três riram. O som ecoou pela varanda, leve, contagiante, como se derrubasse as últimas paredes de resistência de Lila.
Suze então fechou o caderno com um estalo teatral e se aproximou da amiga.
— Lila… eu sei que você está ansiosa. Tem casamento chegando, bebê a caminho, mil responsabilidades. Mas essa festa não é sobre loucura. É sobre celebrar que finalmente você e seu cowboy gostosão se entenderam.
Lila corou e Catarina sorriu e encarou a cunhada perguntando:
— Então todo aquele ódio era apenas uma farsa?
— Catarina querida, nunca ouviu falar que existe uma linha tênue entre o ódio e o amor?
— Tá… vocês venceram. Vamos fazer essa despedida. Do jeito de vocês.

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