O jantar na fazenda tinha sido daqueles que terminam com o som de risadas misturado ao crepitar do fogo. A mesa farta, o cheiro de comida boa e a alegria no ar davam o tom da noite. Depois de muita conversa e um brinde improvisado ao novo casal, os homens se retiraram para a varanda, uma tradição sagrada após qualquer refeição importante.
Taylor abriu as cervejas, James pegou o charuto que guardava para “ocasiões especiais”, e Gabriel esticou as pernas na cadeira, satisfeito.
— Dois casamentos e um bebê vindo. — disse Gabriel, brindando. — Essa fazenda vai precisar de mais quartos.
— E mais paciência — completou James, sorrindo. — Porque quatro preparando casamento ao mesmo tempo… Deus nos ajude.
Taylor riu, tomando um gole.
— Ainda bem que o casório vai ser aqui na fazenda.
— Mas se prepare meu genro, isso não quer dizer que não vai ser o casamento do século. — provocou Gabriel. — Aposto que Lila já marcou reunião com a estilista para fazer os dois vestidos.
— Arriégua, já imagino as duas planejando tudo. — respondeu Taylor.
James deu uma risada calma.
— Isso tudo ainda é o começo. Esperem até as mães se envolverem.
Dentro da casa, as previsões deles já começavam a se tornar realidade.
Na sala, o trio feminino, Lila, Catarina e Sophia, estava espalhando entre almofadas, listas e ideias. Isabella observava tudo da poltrona, com o olhar terno e divertido de quem já conhecia o caos que vinha pela frente.
— Então precisamos decidir — dizia Sophia, com uma pasta nas mãos. — Vamos fazer uma cerimônia aqui mesmo na fazenda.
— Eu conheço o padre local, ele adora o Taylor e o Maurício, vai ficar feliz de vir até a fazenda com esse propósito.
Lila sorriu largo.
— Quero que todos participem.
— Com toda certeza, eles são apaixonados pelo meu irmão e pelo Mauricio. É bom porque as garotas entendem de uma vez por todas que eles agora estão amarrados definitivamente. — completou Catarina sorrindo para a cunhada.
O grupo riu, mas antes que pudessem continuar, a porta da cozinha se abriu e Maria surgiu triunfante com um pote de vidro nas mãos e uma colher.
— Lila, minha filha… — disse, com um sorriso cúmplice. — Olha o que eu achei lá no fundo da despensa.
Lila arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior, como uma criança vendo um presente de Natal.
— Maria… doce de leite?!
— Caseiro, feito ontem — respondeu a governanta, com orgulho.
Catarina soltou uma risada gostosa, abraçando a mãe.
— Meu sobrinho vai nascer diabético.
— Ei! — protestou Lila, já enfiando a colher no pote. — Um pouco de açúcar nunca matou ninguém.
Maria apenas balançou a cabeça, rindo.
— A diferença é que o “pouco” da Lila é meio quilo.
Lila ignorou o comentário, mergulhando novamente no doce. Isabella observava a cena, com o coração cheio. Ver a filha rindo daquele jeito, leve, com as bochechas coradas e os olhos brilhando, era bom demais.
— Eu juro — disse Isabella, sorrindo. — Se esse bebê puxar a mãe, vai nascer com uma colher na mão.
Todos riram, até Sophia, que se levantou com uma ideia.
— Acho que está na hora de contar às avós.
Lila e Catarina se entreolharam.
— Agora?
— Claro! — respondeu Sophia. — Elas estão em alto mar, mas devem ter sinal.
Minutos depois, o grupo se reuniu em volta do tablet. A conexão do cruzeiro estava instável, mas o suficiente para que duas figuras muito familiares aparecessem na tela: Magnólia e Fiorella, as avós mais icônicas que já pisaram na Terra, ou navegaram pelos sete mares.
Sophia atendeu e colocou no viva-voz. Logo, o som do mar e de uma música italiana suave ecoou pela sala.
— Ciao, bambinas! — exclamou Fiorella, rindo alto. — Aqui é o paraíso! Magnólia está paquerando o capitão, e eu… estou considerando seriamente me mudar pra cá!
— Cala a boca, Fiorella — veio a voz de Magnólia, em meio a gargalhadas. — Sophia! Isabella! Catarina e … Lila! Minha neta preferida! Olha pra mim, deixa eu ver esse rostinho! Como anda com o cowboy gostosão? Já transaram naquele riacho?
— Vó…. — Lila corou e Catarina gargalhou alto.
A imagem tremida na tela mostrava as duas senhoras radiantes em um deque ensolarado, o mar azul atrás delas. Fiorella usava um chapéu de aba larga, óculos escuros e uma taça de vinho na mão, Magnólia, toda elegante, com lenço de seda e batom vermelho.
— Catarina, minha neta, também está com um brilho nos olhos. Me diga se o seu peão tem alguma coisa a ver com isso? — disse Magnólia, encantada.
Foi a vez de Catarina corar. Fiorella sorriu de lado.
— É o brilho de quem é bem servida, minha cara Magnólia. Vamos lá, contem tudo!
Sophia trocou um olhar rápido com Catarina e Lila.
— Eu e o Maurício vamos nos casar. — disse Catarina sorrindo.
— Finalmente aquele seu namorado criou coragem. Já estava na hora, pensei que ia precisar fazer drama para ele. — disse Magnólia sorrindo.
— Agora é a Lila quem tem uma notícia pra dar.
Lila engoliu em seco, ajeitando o cabelo atrás da orelha.
— Bom… eu e o Taylor… — respirou fundo — estamos esperando um bebê.
Silêncio. E então, o inevitável grito das duas do outro lado do vídeo:
— O QUÊÊÊ?!

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