A lua alta derramava sua luz prateada sobre a fazenda, envolvendo tudo em uma calma quase mágica. As estrelas piscavam tímidas no céu limpo, enquanto a casa ainda vibrava com o eco das risadas e das vozes que insistiam em não se calar. O jantar havia sido farto, o vinho generoso e os corações, leves cheios da alegria simples que só um lar pode oferecer.
Na cozinha, Maria recolhia os pratos com o mesmo zelo de sempre, cantarolando uma canção antiga. Gabriel, meio cambaleante de tanto rir, estava abraçado a Isabella, contando mais uma de suas histórias épicas, aquelas que ninguém sabia se eram lembranças, exageros ou pura invenção. James, sentado ao lado de Sophia, tomava seu vinho devagar, com os dedos entrelaçados aos dela, e vez ou outra lhe beijava a têmpora com um carinho tranquilo.
Catarina e Maurício já haviam se despedido, saindo de mãos dadas rumo à casa de dona Emília. A mulher, emocionada, ainda enxugava as lágrimas de alegria, seu menino ia se casar, e isso enchia seu coração de orgulho.
No meio daquele cenário de amor, risadas e cheiros de café, Lila observava tudo encostada no batente da porta. O cabelo loiro caía em ondas sobre os ombros, e um sorriso preguiçoso brincava em seus lábios. Havia algo de diferente no olhar dela, estava feliz como jamais imaginou antes. Levou a mão ao ventre e fez um pequeno carinho e em seguida, caminhou até Taylor que conversava com o seu pai e seu sogro, com a voz grave e baixa misturada às risadas dos dois. Ela parou atrás dele e sussurrou, com aquele tom suave que sempre o fazia perder o chão:
— Vamos subir, cowboy. — A ponta dos dedos dela deslizou pela manga da camisa dele. — Estou cansada.
Taylor virou-se, e o sorriso que se formou em seus lábios era puro afeto e desejo. Ele respondeu num murmúrio rouco, com o sotaque mais arrastado do que nunca:
— Vamos, minha princesa. Nosso bebê precisa descansar.
As palavras dele fizeram Lila sorrir, com aquele brilho bobo de quem ainda se derrete toda vez que ouve a própria felicidade sendo dita em voz alta. Ela se despediu dos demais com abraços e o sorriso doce de quem carrega um segredo dentro do peito e subiu com o noivo, de mãos dadas, enquanto as luzes da sala iam se apagando.
Quando entraram no quarto, o mundo pareceu diminuir. Lá fora, o som dos grilos e o sussurro do vento entre as árvores compunham uma melodia calma, quase cúmplice. O ar tinha o perfume fresco da noite e o calor suave do campo.
Taylor se aproximou dela com aquele mesmo sorriso sereno, as mãos grandes pousando de leve sobre sua cintura. Beijou-lhe a testa com ternura e murmurou, num tom baixo e carinhoso
— Boa noite, princesa. — Seus lábios tocaram a pele dela devagar. — Vou tomar um banho rápido.
Lila o acompanhou com os olhos enquanto ele caminhava até o banheiro, a camisa se abrindo, revelando o peito bronzeado e o corpo forte que ela conhecia tão bem. Quando o som da água começou a ecoar, um sorrisinho travesso curvou seus lábios.
— Boa noite? — pensou, mordendo o lábio inferior. — Ah, não, meu amor… a noite está só começando.
Com calma, ela foi até o guarda-roupa e abriu as portas, os dedos deslizando pelas roupas até encontrar o que queria: uma camisola de renda preta, curta, provocante, quase indecente na medida certa. O tecido era frio ao toque e, quando escorregou por sua pele quente, arrancou-lhe um arrepio.
O espelho devolveu a imagem de uma mulher confiante e luminosa sob a penumbra do quarto. A renda marcava a curva dos seios, os ombros nus refletiam a luz suave do abajur, e o corte da peça deixava as coxas à mostra, de um jeito que fazia o coração acelerar. Soltou o cabelo, deixando-o cair livre, e tirou a calcinha com um movimento lento, quase ritualístico, antes de se sentar na cama de pernas cruzadas, e com os olhos brilhando de antecipação.

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