A força de Víctor Laranjeira era impressionante. Ele segurava justamente onde estava o machucado, a dor era tão aguda que minha visão escureceu. O ferimento se abriu ainda mais, o sangue escorreu, mas ele apenas lançou um olhar, completamente indiferente.
— Víctor Laranjeira, solte, você está me machucando.
Víctor olhou para o meu pulso tingido de sangue, seus olhos, já escuros, pareceram se aprofundar ainda mais. Talvez o vermelho vivo do sangue o tenha abalado, pois ondas de emoção surgiram em seu olhar.
Ele se ajoelhou lentamente e encostou meu pulso ferido em sua testa. A voz rouca, perguntou-me como poderia ser perdoado, como poderia reparar o dano que causou.
Disse que realmente só estava preocupado com a Kelly, jamais imaginou que me machucaria daquele jeito.
— Se eu disser o que quero, você cumpre?
— Sim — respondeu Víctor Laranjeira com um aceno solene.
— Palavra de honra, eu vou confiar em você pela última vez! Víctor Laranjeira, ouça bem: eu quero o divórcio. Sobre os bens, antes eu queria sessenta por cento. Ontem, você quase me matou com as próprias mãos. Como compensação, quero setenta por cento. O resto permanece igual.
Ele não adorava me compensar?
Pois dessa vez, eu lhe daria a chance!
Víctor Laranjeira levantou a cabeça de súbito. Choque, dor e arrependimento deram lugar a uma escuridão ameaçadora em seu rosto.
Em questão de segundos, ele deixou de ser o marido arrependido e se tornou um demônio sombrio, carregando um sorriso perverso nos lábios gelados.
— Francisca, esqueceu como se machucou? Lembre-se: no nosso casamento, só existe viuvez, nunca divórcio! Viuvez! Entendeu? Ou você morre, ou eu morro.
De repente, lembrei de tudo o que aconteceu ontem de manhã, um suor frio escorreu pelas minhas costas.
Então, ele realmente tentou me sufocar com o cobertor?
Ele preferia que eu morresse a aceitar o divórcio!
Essa percepção caiu sobre mim como um raio em céu aberto.
Desde aquela noite no terraço, eu já estava preparada para a possibilidade de Víctor Laranjeira me trair.
Se ele quisesse outra, eu não faria questão.
O que jamais imaginei era que, depois de seis anos de amor e cinco de casamento, ele pudesse desejar minha morte!



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