Na Cidade B, o Grupo Laranjeira estava um pouco à frente do Grupo Lima.
Se, por minha causa, o Grupo Lima acabasse ofendendo o Grupo Laranjeira, as consequências seriam gravíssimas.
Ainda mais agora, quando Víctor Laranjeira já não era mais aquele Víctor Laranjeira que eu conhecia. O que poderia acontecer, nem ousava imaginar.
— Francisca, você está bem? Assim que cheguei, ouvi do meu irmão que você estava machucada, quase morri de preocupação. Deixa eu ver, onde foi que você se feriu?
Víctor Laranjeira, depois de ter apanhado feio, ficou parado numa pose ridícula por uns dois minutos, até finalmente se endireitar e ajeitar a própria roupa toda bagunçada. O olhar sombrio deu lugar a uma expressão cheia de culpa, dor e arrependimento.
Quando viu os ferimentos nos meus pulsos e tornozelos, e ouviu, por alto, o relato do perigo que enfrentei naquela manhã, Cecí ficou pálida de raiva. Sem hesitar, levantou a bolsa e deu outra surra em Víctor Laranjeira.
— Nem como pessoa você presta, quem dirá como cachorro. Até cachorro sabe ser grato a quem lhe dá de comer, mas você, todo poderoso Diretor Laranjeira, não entende nem o básico. E ainda teve coragem de machucar a Francisca! Está querendo morrer, é isso?
— Faz quantos anos que você foi jogado fora como um cão sarnento? Já esqueceu como estava à beira do abismo? Sem a Francisca, você já teria ido dessa pra melhor há muito tempo! Usando a patente da Francisca, salvou o Grupo Laranjeira, e mal teve tempo de levantar que já quis trair a Francisca? Isso que você fez tem outro nome, não é coisa de gente!
— Víctor Laranjeira, seu canalha, lembra o que prometeu quando casou com a nossa Cecí? Se não era homem suficiente, que tivesse avisado! A Francisca não precisava de você! Isso foi um golpe, sabia? Golpe do baú! É crime!
As palavras de Cecí fizeram os olhos de Víctor Laranjeira ficarem vermelhos de vergonha e raiva.
Nenhum homem aguentaria ser publicamente desmoralizado dessa maneira.
A língua afiada de Cecí não dava trégua, cada frase mais cortante que a anterior, atingindo Víctor Laranjeira bem no fundo do peito. A bolsa voava no ar, causando até vento de tão forte.
— Chega, Cecília Lima! Não pense que não tenho coragem de te enfrentar! — Víctor Laranjeira agarrou a alça da bolsa e lançou um olhar ameaçador para Cecí.
Cecí, furiosa, tentou chutar Víctor Laranjeira e puxar a bolsa de volta, mas ele se recusou a largar. Os dois começaram uma verdadeira batalha pelo controle da bolsa.
— Víctor Laranjeira, se é homem, solte! Tenha coragem de assinar o divórcio, é fácil demais descontar em mulher! — Preocupada com Cecí, desci da cama pronta para ajudar.
Foi então que uma risada leve, completamente fora de hora, cortou o clima tenso e caótico.



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