Virei o rosto e encarei os olhos brilhantes de Víctor Laranjeira, sorrindo suavemente, como se uma brisa leve passasse por nós.
— Fora isso, não tem mais nada. Víctor, você não acha que, diante de tudo isso, sobreviver já é uma sorte inacreditável?
O corpo magro de Víctor Laranjeira ficou repentinamente rígido. O olhar dele caiu sobre a cicatriz no pulso, marcas de dentes aparecendo na lateral do rosto, os dedos se fechando, tensos, enquanto uma fúria silenciosa tomava conta de seu olhar.
Ele cambaleou para trás, incrédulo, levando a mão ao peito. Uma tosse violenta sacudiu seu corpo, deixando seu rosto completamente vermelho.
A dor, densa e profunda, se espalhou pelo fundo dos seus olhos.
Dói?
Que bom que dói.
Por que só eu deveria sentir essa dor?
Se é para sofrer, que todos sofram juntos!
— Me desculpe, Francisca, eu… eu não queria… Naquela hora, Kelly estava muito mal. Eu fiquei preocupado com ela… Me perdoa, Francisca, por favor, me perdoa.
O rosto de Víctor Laranjeira estava pálido como um fantasma, os olhos tremiam intensamente, mas ele não tinha coragem de me encarar.


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