Peguei o copo com a sopa.
O calor e o aroma me alcançaram ao mesmo tempo, aquecendo meu coração.
Naquela noite gelada, pelo menos havia alguém que me trazia uma bebida quente, para que meu estômago não congelasse junto com o resto do corpo.
Para não incomodar os outros, Fernando Gomes me levou até a última fileira de cadeiras.
Ele colocou as coisas que trouxe no assento, abrindo uma por uma, e me olhou, incentivando-me.
— Coma, coma bastante. Não importa o que esteja pensando agora, primeiro você precisa garantir que tenha energia.
Peguei um pedaço de sushi e o coloquei na boca.
Ele curvou os lábios em algo que pareceu um sorriso, e seus olhos castanhos brilhavam com calor e vivacidade.
O sushi era macio, doce e saboroso.
Sem perceber, comi a maior parte, e a sopa de feijão com tâmaras também estava quase no fim.
Meu estômago ficou aquecido e confortável.
Enquanto comia, comecei a me sentir estranha novamente.
Desde que ouvi a conversa daqueles três, esse sentimento vinha aparecendo com frequência.
— O que foi? — Fernando Gomes me perguntou, confuso.
Antes que eu pudesse responder, Junior Lacerda tossiu ruidosamente.
Olhei naquela direção.
Víctor Laranjeira havia se levantado em algum momento e estava virado para mim.
Seus olhos, já inchados, pareciam embebidos em sangue, mas seus lábios estavam curvados em um grande sorriso.
Embora estivesse sorrindo, sua expressão era apenas de tristeza.
— Ficou com pena? Então vá consolá-lo. Vocês foram casados, afinal. Não pode ser completamente indiferente. — O tom de Fernando Gomes era frio, mas suas palavras eram tão ácidas quanto um barril de vinagre.
— É mesmo? Então eu vou.
Fiz menção de me levantar.
Com um movimento rápido, Fernando Gomes agarrou a manga da minha roupa.
— Ouse! — Ele sibilou, com os dentes cerrados. — Não vá.

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