O buquê de hoje era de rosas damascenas da Bulgária.
No mito grego, elas eram o sangue condensado do amor.
Entre as flores, havia um cartão requintado com uma linha escrita em caligrafia floreada: "Para a única palpitação da minha vida."
Eu só o tinha visto uma vez, por não mais de uma hora e meia, e mal havíamos trocado uma palavra formal.
Não fazia ideia de como ele havia concluído que eu era a "única palpitação de sua vida".
Ao lado desse buquê, estava o arranjo de tons de roxo que Fernando Gomes havia mandado Lion entregar.
Minha cabeça doía.
Doía, doía, zumbia de dor.
— Flávia, quem recebeu as flores? — gritei.
— Fui eu, Francisca! Fui eu que desci para buscar. É a primeira vez que vejo rosas damascenas de verdade. Lindas, não são? — Flávia saltou como um macaquinho, esperando elogios.
Fiquei tão irritada que peguei uma pasta ao lado e bati de leve em sua cabeça.
— Eu te disse ontem para não aceitar nada? Não disse? Não disse?
— Ai! — Flávia gritou, cobrindo a cabeça com um exagero dramático. — Eu pensei que...
— Cale a boca. Pensou o quê? Minha palavra não vale mais nada para você? Se você está interessada nele, diga logo. Se tem vergonha de contar para o Lion, eu posso, com muito esforço, fazer esse favor.
— Claro que não! As flores são para você, Francisca.
— E você ainda sabe que são para mim? Você as aceitou com tanta naturalidade que quase pensei que fossem para você.
— Diretora Francisca, você entendeu errado. São realmente para você.
— Não importa para quem sejam, senhorita Flávia. Foi você quem as recebeu, então é você quem vai dar um jeito nelas. Agora, imediatamente, neste instante. Dou-lhe trinta segundos para desaparecer da minha vista junto com essas flores. Caso contrário, menos cinco pontos na sua avaliação de desempenho.
— Não, mas foi de boa vontade... Certo, certo! Já estou levando. Não desconte, por favor, não desconte.
Sob minha pressão intensa, Flávia agarrou as flores e fugiu apavorada.
Mesmo ao chegar à porta, ela ainda se virou para me lembrar de não dizer nada a Lion.
Veja só o poder do amor.

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