Fernando Gomes riu de incredulidade, levantando a perna e dando um leve chute em Sep, enquanto zombava:
— Fala demais, viu? Quer que eu te mande pra procurar bandido no meio do mato amanhã?
Sep nem tentou se esquivar, mantendo o mesmo olhar frio e impassível:
— Ainda preciso proteger o senhor.
Fernando Gomes, de ótimo humor, resmungou mais algumas vezes antes de expulsar todos da minha casa.
O grupo saiu rapidamente, deixando o silêncio para mim, parada diante do sofá coberto, e para Fernando Gomes, que parecia perfeitamente à vontade.
Peraí, essa casa é minha, não é? E ele simplesmente se instalou aqui, sem pedir licença, como se fosse a coisa mais natural do mundo?
Diante da minha dúvida, a resposta dele foi clara:
— Não pense demais. É só pra garantir a sua segurança. Nesse aspecto, não confio em qualquer um.
A língua desse homem era afiada. Bastava eu falar uma palavra a mais, e ele já interpretava como se eu tivesse interesse por ele.
Sem argumentos, voltei para o quarto, engolindo a irritação.
Quando contei isso para Cecí, ela quase fez o Wi-Fi explodir de tanto entusiasmo:
— Meu Deus, Diretoria Gomes é rápido, hein? Chegou chegando! Se for pra falar de precisão e ousadia, ninguém supera ele. Cisca, tô te avisando: agarra essa chance! Coloca ele no teu quarto logo. Tenho certeza de que ele vai ser o amor da sua vida. Aliás, já vou encomendar umas coisinhas.
— Que coisinhas?
— Precisa perguntar? Vou te mandar uns conjuntos de lingerie, camisola... daqueles bem ousados. Renda, transparência, tudo. Esse aqui é ótimo! Deixa comigo, não se preocupa.
E do nada, ela desligou.

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