Quem é essa garota?
Se ela é realmente irmã biológica de Fernando Gomes, de onde vem essa hostilidade comigo?
Diziam que a família dele era fácil de lidar, mas assim que entrei, já recebi um olhar fulminante.
Antes que eu pudesse pensar mais sobre o assunto, Fernando Gomes já me puxara para dentro de casa.
Ele sequer lançou um olhar para a garota que falava, desviou nitidamente do braço dela e, segurando minha mão, me conduziu direto para o interior do lar.
Eu já estava mentalmente preparada para encontrar muita gente na casa da família dele.
Mas, quando realmente vi o enorme salão, repleto de pessoas sentadas e em pé, não consegui evitar o impacto daquela cena.
A antiga residência da família Gomes tinha uma decoração com um peso histórico, requintada e clássica, com um toque retrô; só pelo aroma delicado no ar, percebia-se que os móveis e adornos eram todos de madeiras nobres e raras.
O salão era imenso: quatro sofás longos estavam ocupados por familiares, alguns jovens, outras crianças pequenas brincavam sentadas no tapete, e outros ainda se acomodavam no parapeito largo da janela.
Assim que Fernando Gomes entrou, quase todos se levantaram. Apenas um ancião, de cabelos e barba completamente brancos, permaneceu imóvel na posição de destaque.
À esquerda, um casal de meia-idade também não se levantou, mas ambos ergueram os olhos em direção à porta.
Os traços desse casal lembravam muito os de Fernando Gomes; deviam ser seus pais.
Diante de tudo aquilo, apertei instintivamente a mão de Fernando, tomada por uma certa tensão.
Fernando percebeu e, com o polegar, acariciou de leve o dorso da minha mão, dizendo baixinho:
— Fique tranquila, relaxe.
Lancei-lhe um olhar de reprovação, quase revirando os olhos.

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