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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 23

Víctor Laranjeira me encarava fixamente, o tom da voz carregado de impaciência:

— Francisca, Serena é apenas uma cuidadora. Mesmo que tenha cometido algum erro, foi sem intenção. Por que você insiste tanto nisso?

Pela primeira vez, Víctor Laranjeira defendia outra mulher diante de mim.

Nem mesmo Juliana Silva havia tido esse privilégio.

Dizer que não havia nada entre ele e Serena Lacerda? Nem mesmo um tolo acreditaria nisso.

— Eu estou insistindo? Acaso a Serena não disse que se machucou? Agora, olhando pra você, parece que é você quem tem segundas intenções.

Desta vez, ele não disse uma palavra sequer. Virou-se, bufando, e o corpo rígido parecia uma escultura de gelo.

— Víctor Laranjeira, se eu disser que minha queimadura não foi um acidente, mas algo que Serena Lacerda fez de propósito, você acreditaria?

Ele ficou em silêncio absoluto, sem mover um músculo.

Quando pensei que ele não responderia, ele finalmente falou:

— Já está tarde, é melhor dormir.

Assim que terminou de falar, deitou-se. Mas eu rolei na cama, sem conseguir adormecer.

Mesmo com o creme já passado na queimadura, assim que o efeito passou, a pele começou a arder de novo e o sono foi embora.

Passei mais uma vez o creme, até me sentir um pouco melhor. Justo quando estava quase pegando no sono, senti o colchão ao lado ceder e, logo em seguida, ouvi o som baixíssimo da porta se abrindo e fechando.

Abri os olhos e olhei para o criado-mudo: o tubo de creme havia sumido!

Mesmo já tendo decidido não amar mais Víctor Laranjeira, esse tipo de atitude ainda conseguia me magoar.

Na verdade, descobrir quem era Serena Lacerda seria fácil, bastava um telefonema. Só não queria saber.

Preferi deixar que tudo viesse à tona por si mesmo.

Seria como assistir a um espetáculo — e de graça.

O café da manhã foi preparado por Víctor Laranjeira. Ele levava os pratos à mesa, um por um. Quando me viu sair do quarto, sorriu, natural, como se nada tivesse acontecido:

— Como está a queimadura? Fiz canja de tilápia com queijo-minas, dizem que ajuda na recuperação.

Sorri com ironia. Era de se admirar: tão cedo e ele já tinha conseguido tilápia para a sopa.

Serena Lacerda e Kelly já estavam sentadas à mesa. Kelly acenou para mim:

— Mamãe, bom dia!

— Bom dia, querida — acariciei o rostinho de Kelly e virei-me para Víctor Laranjeira:

— Obrigada, mas deixe a sopa para a Srta. Lacerda. Desde pequena, não como peixe.

Antes, ele sabia exatamente do que eu gostava ou não gostava. O que teria feito ele esquecer tão rapidamente?

O rosto de Víctor Laranjeira empalideceu de repente. A colher ficou suspensa no ar, sem saber se servia ou se colocava de volta.

— Desculpa, eu... tenho estado tão ocupado, acabei esquecendo. Hoje à noite, faço canja de pombo pra você.

Dei de ombros, sem me importar:

— Não precisa se desculpar, é só uma sopa. Você é o presidente da empresa, é natural estar ocupado. Quando a cabeça está cheia, é impossível dar conta de tudo. Nunca existe um verdadeiro ganhar-ganhar.

Quem tivesse sensibilidade perceberia o duplo sentido das minhas palavras. Os olhos de Víctor Laranjeira ficaram cheios de turbulência.

Serena Lacerda, com inteligência, não se meteu. Alimentava Kelly enquanto, de canto de olho, espiava a mim e a Víctor, como se escondesse algo.

Adultos não perdem tempo com questões sem importância. Umas palavras verdadeiras, outras falsas, e fica por isso mesmo.

Capítulo 23 1

Capítulo 23 2

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