O terno de Víctor Laranjeira estava jogado no chão, a gravata pendurada em seu pescoço como uma corda de enforcamento, e o colarinho da camisa puxado para baixo, revelando a pele marcada por arranhões avermelhados.
Serena Lacerda vestia uma camisola curta, que subia até a raiz das coxas. Uma das alças havia caído, deixando à mostra um amplo pedaço de seu busto alvo.
Víctor Laranjeira pressionava Serena Lacerda contra a parede com força, uma das mãos apertando o queixo dela. O ódio em seus olhos era tão intenso que parecia prestes a transbordar.
— Víctor, por favor, não faça isso. Eu não aguento…
— Não aguenta? Não foi você quem fugiu com aquele estrangeiro? Por que voltou então? Por que não morreu de vez, hein? Ainda tem a coragem de me procurar pedindo ajuda? Você não tem vergonha mesmo, Serena?
— Eu não te avisei para se comportar? Para não mexer com a Francisca? Foi você que queimou a Francisca de propósito, não foi? E as palavras que a Kelly disse, não foi você que ensinou? Serena Cruz, você não vale nada!
Víctor Laranjeira rosnava entre os dentes, os olhos tomados por uma fúria tão fria que ninguém ousaria encarar.
Serena Lacerda — ou melhor, Serena Cruz — tinha os olhos marejados, as lágrimas ameaçando cair, seu aspecto frágil e despedaçado sob a luz.
— Eu errei naquele tempo, não devia ter deixado você e a Kelly. Mas, Víctor, acredite ou não, durante todos esses anos, nunca deixei de te amar. Quando aquele monstro me entregou para um cliente, e depois me jogou naquele barco clandestino, nos dias de puro inferno… só pensava em você para conseguir sobreviver.
— Eu nunca quis machucar a Francisca Lobato, mas você trata ela tão bem… eu senti ciúmes. Víctor, você prometeu, lembra? Disse que seria sempre fiel a mim, que me amaria para sempre, até a morte. Só passaram cinco anos, já esqueceu de tudo? Você pode ter esquecido, mas eu não consigo.
— Sim, não tenho coragem de encarar você e a Kelly. Não sou digna de ser mãe da Kelly. Se eu não estivesse morrendo, jamais teria voltado. Víctor, não me expulse, deixa eu ficar com você e nossa filha. Só de estar perto de vocês, eu já morro feliz. Não vai demorar muito, Víctor, logo eu vou embora para sempre, e nunca mais vou te incomodar.
— Droga! — Víctor Laranjeira praguejou entre dentes, os olhos injetados de sangue. De repente, ele se lançou sobre os lábios de Serena Cruz, mordendo-os com fúria, como se quisesse devorá-la por inteiro.
O corpo de Serena Cruz tremia nos braços de Víctor Laranjeira, os olhos cheios de lágrimas, parecendo ao mesmo tempo frágil e carregado de desejo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade