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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 22

Ele não respondeu à minha pergunta, preferindo despistar com algumas palavras vagas e irrelevantes.

Isso só aumentou minha curiosidade sobre a verdadeira identidade de Serena Lacerda.

Cheguei a pensar em pedir para algum amigo investigar, mas logo achei que não valia o esforço.

Seja quem ela for, desde que não faça mal a mim ou à Kelly, tudo bem. Quanto ao Víctor Laranjeira, ele que cuide da própria vida; já não me cabe me preocupar.

Na terceira noite da chegada de Serena Lacerda, fui até o quarto infantil ver Kelly.

A pequena nunca dormia direito, costumava chutar as cobertas durante a noite.

No entanto, o quarto dela estava vazio.

Serena Lacerda ficava no quarto em frente ao de Kelly, cuja porta estava entreaberta. Lá, na cama grande, Kelly dormia profundamente, aninhada nos braços de Serena Lacerda.

O braço de Serena Lacerda envolvia delicadamente o corpinho de Kelly, as duas com as testas encostadas, um retrato de intimidade e ternura.

Sob o luar, a cena parecia tão natural e calorosa que, por um instante, não eram cuidadora e filha da patroa, mas mãe e filha de verdade.

Não quis atrapalhá-las, preferi sentar-me no sofá por alguns minutos.

Refletindo, percebi que Serena Lacerda não era uma pessoa simples.

Desde o primeiro dia, quando entrou sem bater no quarto que eu dividia com Víctor Laranjeira, ela parecia querer, de maneira sutil ou não, me passar algum recado.

Eu, imersa no luto pela perca da minha mãe, havia ignorado esses sinais.

Mas o que Serena queria? O lugar de Sra. Laranjeira?

Faz sentido. Víctor Laranjeira é rico, influente; nos últimos anos, o Grupo Laranjeira cresceu com o boom tecnológico, tornando-se referência no mundo dos negócios de Cidade B. Que mulher não ficaria de olho?

Isso, porém, já não dizia respeito a mim; não é mais da minha conta.

Depois de um tempo sentado, alonguei o corpo enrijecido e me preparei para voltar ao quarto, quando Serena Lacerda apareceu de repente, quase como um fantasma.

Ela não usava camisola, apenas um sutiã de dormir e uma calcinha fio dental.

Já sabia que ela era magra, mas sem as roupas percebia-se o quão assustadoramente magra era: parecia que a pele mal cobria os ossos. Do ponto de vista feminino, não havia graça alguma, pelo contrário, era até perturbador.

Arrastando os chinelos, esfregando os olhos, ela parecia a caminho do banheiro coletivo.

— Srta. Lacerda, por favor, poderia me trazer um copo de água morna?

Serena Lacerda assustou-se, parou bruscamente, levou a mão ao peito e olhou ao redor. Ao me ver sentada no sofá, soltou o ar aliviada e reclamou:

— Nossa, dona Francisca, a senhora não dorme? Está absorvendo energia da lua, é? Quase me matou de susto.

— Pois é, quanto antes eu virar santa, mais rápido afasto os maus espíritos. Assim, nenhum demônio ousa cruzar meu caminho.

Havia uma ironia nas minhas palavras, e Serena Lacerda percebeu, seu rosto fechando por um instante antes de abrir um sorriso sedutor.

Serena Lacerda era linda; se tivesse uns quilos a mais, seu sorriso poderia ser descrito como irresistível.

Ela entrou na cozinha e logo retornou com um copo, entregando-o para mim, sílaba por sílaba:

— Senhora, aqui está sua água. Beba devagar, viu?

Sem pensar muito, peguei o copo, só então percebendo que a água estava quase fervendo.

Quando ia colocá-lo na mesinha, Serena Lacerda empurrou com força minha mão esquerda que segurava o copo.

Capítulo 22 1

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