Fiquei sem palavras.
Na época do ensino médio, eu sempre ficava em primeiro lugar, ela em segundo. Ela não aceitava isso, e vivia falando para professores e colegas que só perdia para mim porque eu tinha uma família privilegiada. Dizia que, se também tivesse um pai professor universitário e uma mãe professora de destaque, suas notas seriam ainda melhores que as minhas.
Eu era jovem, não ligava muito para essas coisas — até porque ela nunca me falou nada diretamente. Só fiquei sabendo dessas conversas pelos outros colegas, então nunca dei importância; preferi responder apenas com resultados.
Durante os três anos do ensino médio, ela ficou sempre na minha sombra.
Seus resultados no vestibular não foram nada extraordinários. Acabou entrando numa universidade de segunda linha.
Ouvi dizer que, depois de formada, ela se humilhou durante cinco anos por um desses herdeiros de família rica, mas acabaram terminando por causa da diferença social.
No começo deste ano, foi apresentada a um supervisor de uma empresa e está em vias de noivar com ele.
O noivo trabalha numa subsidiária de uma grande empresa listada na bolsa, ganha um salário respeitável. Pelo jeito, ela acha que vai dar um salto na vida — e anda meio deslumbrada, sem se dar conta dos próprios limites, sempre procurando uma chance de me provocar, como se quisesse compensar aqueles anos do ensino médio em que ficou atrás de mim.
Hoje eu usava um vestido de alta costura, edição limitada de uma marca famosa; só ele já valia o salário anual dela. Fico pensando: o que a faz achar que tem base ou direito para me desafiar sem motivo?
Se hoje eu não der uma lição nela, ela vai sair daqui achando que é dona do mundo.
— Ah, não precisa! Você trabalha tanto, é tudo fruto do seu esforço. Eu sou mole, não teria coragem de te colocar nessa situação — falei, com uma falsa gentileza.
Nisso, Cecí tentou pegar um legume, mas se atrapalhou e um pouco de óleo respingou em mim, deixando duas manchas ovais no vestido.
— Ih, sujou... O que faz agora? — Cecí perguntou, fazendo um biquinho, quase rindo.
Brinquei com ela:
— Não tem problema, é só me dar outro igual. Nem é tão caro assim.


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