A garotinha piscava aqueles olhos encantadores e brilhantes, com um brilho de esperteza juvenil e uma doçura genuína, misturando inocência e astúcia de quem acha que engana os adultos.
Era mesmo um teste adorável, tão puro.
— Olá, Srta. Batista, prazer, meu nome é Francisca Lobato, sou diretora do departamento de tecnologia da InovaBrasil Tech. Aqui está meu contato, sincronizado no WhatsApp.
Marina Batista, visivelmente animada, me adicionou no WhatsApp, puxou uma cadeira para mais perto e ficou mexendo no meu Instagram enquanto conversava comigo.
— Uau, irmã, essa maquiagem ficou linda, combina demais com você!
— Irmã, você é mesmo dessa área de tecnologia! Que inveja, mas como é que você, uma mulher tão bonita, consegue passar o dia todo lidando com números e códigos? Não sente tédio?
As perguntas saíam dela sem pausa, e o sujeito ao nosso lado, sempre com aquela aura gelada, franziu as sobrancelhas, incomodado.
Marina Batista era espontânea e falante, me indicou várias influenciadoras de beleza e até algumas marcas de roupas que eu nunca tinha experimentado.
Depois de um tempo de conversa, mais à vontade, ela se aproximou e começou a perguntar, quase sussurrando, sobre o Fernando Gomes.
Se tinha alguma secretária se insinuando, se alguma garota levava almoço para ele, se já tinha levado alguma mulher para a empresa causar confusão… perguntava sem filtro, claramente querendo marcar território.
Perguntar tudo bem, mas que fosse baixinho, para ninguém ouvir.
Mas ela fazia questão de falar alto, a voz clara ecoando, e o sujeito à minha esquerda parecia cada vez mais frio, meu braço já estava quase dormente de tanto frio, precisei abraçar o outro braço para me aquecer.
O ar-condicionado estava ligado, a temperatura agradável, ninguém demonstrava desconforto.
Justamente por isso, meu movimento chamou atenção.
Erick Diniz, curioso, perguntou:
— Diretora Francisca, está com frio?
Olhei de relance para o Fernando Gomes, que parecia esculpido em gelo, e preferi não contar que ele era o responsável pelo frio, inventando qualquer desculpa:
— Não, é só uma coceira no cotovelo.
Fernando Gomes me lançou um olhar impassível, pegou o celular, discou um número e empurrou o aparelho na minha direção. A ligação já havia começado quando Marina Batista, com o rosto fechando em desaprovação, desligou abruptamente.
Resmungou, descontente:
— Ai, que coisa, só sabe fazer fofoca.
Diante do rosto dela desmilinguindo, não consegui segurar o riso. Às vezes, até quem se acha forte precisa de alguém mais forte para colocar limites.
Marina Batista lançou um olhar de reprovação para Fernando Gomes, segurou minha mão e disse, com aquela voz cristalina:


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade