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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 157

Quando meu pai ainda estava por perto, ele me ensinou muito sobre pinturas e caligrafias antigas.

No passado, o casco de tartaruga era o principal material usado para fazer peças como a que eu segurava agora. Entretanto, este leque era feito de porcelana negra com esmalte de padrão tartaruga, um tipo de artefato que surgiu no Período Colonial Português e que, à primeira vista, mostrava seus anos de história. O cabo do leque era tão suave e liso quanto jade trabalhado, revelando o toque contínuo de quem o manuseara por muito tempo.

Antes, olhando de longe, eu suspeitava que fosse uma pintura revelada. Agora, com ela em mãos, praticamente confirmei minha hipótese. Para detalhes mais profundos, só me restava esperar até poder estudá-la com calma em casa.

O segundo item do leilão era um lavatório de pincéis, de cerâmica popular do fim do Império Brasileiro. Apesar de estar bem conservado, não era raro, já que muitos exemplares sobreviveram ao tempo, o que diminuía seu valor.

O lance inicial foi de trinta mil, mas logo um senhor ao fundo arrematou por cem mil.

Em eventos beneficentes, todos querem demonstrar seu apreço, mesmo que, na prática, essas peças fiquem esquecidas em algum canto depois.

Conforme o leilão avançava, os itens tornavam-se mais valiosos, com o ápice sendo um conjunto raríssimo de esmeraldas, algo sem preço no mercado.

Continuei assistindo atento, afinal, aquele era o território de Fernando Gomes; minha presença era apenas de acompanhante, e já havia exagerado ao arrematar o leque.

Fernando Gomes levou uma taça de porcelana ultrafina, criada por um mestre de Vila Rica no Período do Império Brasileiro. Era uma peça translúcida, de esmalte acetinado, leve como uma pena — e de preço altíssimo.

José Godoy escolheu uma estátua de Nossa Senhora feita de jade amarelo. Apesar de recente, destacava-se pela qualidade do material e do entalhe, custando-lhe dois milhões.

Víctor Laranjeira arrematou um conjunto de joias com diamantes rosa por dois milhões e duzentos mil.

Tudo ainda parecia um aquecimento; o público aguardava ansioso pela aparição da peça principal.

Finalmente, o último item foi trazido ao palco.

Os funcionários retiraram o véu de mistério que cobria a peça, e a sala explodiu em murmúrios e exclamações.

Era um conjunto triplo de esmeraldas: uma pedra bruta, um anel de esmeralda com aro ajustável de ouro, e um adorno de cabelo cravejado de ouro, esmeralda e pérolas.

O lance inicial era de quinze milhões, a estrela da noite.

Apesar de já terem passado por ali joias de jade avaliadas em mais de seiscentos milhões, aquele conjunto de esmeraldas capturou meu olhar.

A densidade e a simplicidade cultivadas pelo tempo exalavam um brilho suave sob as luzes, despertando o desejo de posse em qualquer um.

Porém, meus pais me ensinaram desde criança que o mundo está repleto de coisas boas. O erro maior é a ganância: só devemos buscar o que realmente precisamos; o resto, basta admirar com serenidade.

Capítulo 157 1

Capítulo 157 2

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