Ao dizer isso, acabei passando ao lado de Víctor Laranjeira.
Ele ouviu minhas palavras e, com o rosto já pálido, ficou ainda mais desbotado. Seus lábios tremularam, como se quisesse dizer algo, e a intensidade de emoção e preocupação em seu olhar era tão densa quanto um velho vinho já passado do ponto.
Não olhei para ele, tampouco lhe dei atenção, e segui meu caminho com leveza ao seu lado.
Ele já foi um capítulo marcante da minha vida; agora, só quero sair discretamente da história dele.
Sem amarras, sem ligações — cada um seguindo seu caminho.
— Francisca — a voz rouca e abafada de Víctor Laranjeira soou atrás de mim, carregada de súplica.
Não me virei.
Nesta vida, não voltarei atrás por ele.
O salão do leilão já estava preenchido por diversas pessoas. José Godoy ocupava o lugar central da primeira fila; quando se virou, cruzou o olhar comigo e sorriu. Retribuí com um aceno de cabeça.
Logo à frente da primeira fila, havia duas mesas redondas, reservadas como assentos especiais para convidados de honra naquele leilão.
Na mesa à direita, já estava sentada uma jovem de vestido vermelho. O cabelo longo, preso num coque alto, deixava algumas mechas caírem naturalmente pelas têmporas, conferindo-lhe um ar animado e espirituoso. O pescoço delicado e alongado revelava uma beleza rara.
Fernando Gomes conduziu-me até a mesa à esquerda. Ele se sentou ao centro, Erick Diniz ficou à sua esquerda, e eu ocupei o assento à sua direita.
Assim que nos acomodamos, a jovem de vermelho, até então entediada, teve os olhos iluminados e exclamou animada:
— Nando, você finalmente chegou! Por que demorou tanto? Eu já estava quase morrendo de tédio...
Seu rosto juvenil, quase infantil, brilhava com olhos grandes e cintilantes; as bochechas tingidas de um leve rubor, tímidas e encantadoras.
Como mulher, percebi de imediato: essa garota gostava de Fernando Gomes.


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