Fabiano Nunes mal havia chegado à empresa quando soube, por meio do Assistante Matos, que Fátima Miranda havia depositado uma quantia na mesma conta que ele usara para transferir dinheiro a ela anteriormente.
Cem mil, com a observação: reembolso.
— A Senhorita Miranda disse que, por enquanto, só conseguiu levantar esse valor, mas que trabalhará duro para quitar o restante o mais rápido possível — informou o Assistante Matos.
Fabiano Nunes permaneceu em silêncio. Abriu o relatório financeiro que haviam deixado em sua mesa naquela manhã e soltou um "hum" frio e indiferente.
— Mais alguma coisa?
O Assistante Matos coçou a cabeça, meio perdido:— Aparentemente... não há mais nada. Com sua licença, vou me retirar.
A porta foi fechada suavemente.
Assim que os passos do Assistante Matos desapareceram completamente no corredor, Fabiano Nunes arremessou o relatório contra o chão com violência.
Levantou-se furioso e começou a andar de um lado para o outro na sala. Ainda sentindo-se sufocado, puxou o nó da gravata com irritação para afrouxá-lo.
Pegou o celular, tentado a discar aquele número desconhecido da noite anterior, mas acabou largando o aparelho.
Que seja. Se ela quer pagar, que pague. Ele queria ver de onde ela tiraria dinheiro para isso.
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Enquanto isso, em outro lugar.
Oceana Amaral havia terminado sua sessão de quimioterapia da manhã e estava agora no consultório de Francisco Barros.
— Desculpa, Doutor Barros. Esqueci o casaco no meu carro. Tive uns imprevistos nos últimos dois dias e não tive tempo de lavá-lo...
— Hum — respondeu Francisco Barros.
Um constrangimento passou pelo rosto de Oceana Amaral. Ela percebeu o descontentamento na expressão de Francisco Barros, mas não conseguia imaginar onde o teria ofendido.
Se houvesse um motivo, provavelmente seria o fato de ela ter faltado novamente ao hospital ontem sem avisar a equipe médica com antecedência, fazendo-os preparar tudo em vão e desperdiçando o tempo deles.
Oceana Amaral colocou uma mecha de cabelo solta atrás da orelha.
Assim que entrou, um aroma rico e delicioso de canja de galinha a envolveu, trazendo uma sensação de calor.
Karina saiu da cozinha e, ao vê-la, disse alegremente:
— A senhora chegou! O senhor acabou de ligar avisando que logo estará em casa.
— Que cheiro bom. Você fez canja, Karina?
Oceana Amaral trocava os sapatos enquanto olhava para a cozinha.
Karina sorriu satisfeita:— Fui visitar minha terra natal há dois dias. Tinha umas galinhas caipiras criadas soltas há anos na vila, então pensei na saúde frágil da senhora e trouxe uma para a cidade. Achei que um caldo faria bem para fortalecê-la.
— Obrigada pelo carinho, Karina — agradeceu Oceana Amaral com um sorriso.
Após trocar os sapatos, ela subiu para o quarto. Tirou um maço grosso de dinheiro do armário e o colocou dentro de um envelope.
Ao descer, vendo que Karina ainda estava ocupada na cozinha, ela entrou silenciosamente no quarto de serviço e colocou o envelope dentro da bolsa de lona que a empregada usava.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!