Somente quando a respiração ao seu lado se tornou pesada e regular é que Oceana Amaral abriu os olhos lentamente. Ela não havia dormido. Durante todo o tempo que Fabiano ficou lá fora ao telefone, ela permaneceu de olhos abertos no escuro do quarto.
Ouvindo a respiração profunda do sono dele, ela virou a cabeça devagar para olhá-lo. Virou o corpo, ficando de frente para ele, estendeu a mão e acariciou suavemente o rosto dele.
— Fabiano, como você quer que eu te perdoe... Eu já te dei tantas chances, e você desperdiçou todas elas. Como você pode... ser tão baixo?
Oceana recolheu a mão, o coração tomado por uma desolação completa.
A noite de Fabiano foi extremamente agitada. Já de madrugada, sonhou com Fátima Miranda chorando. De repente, o rosto dela se transformou no de Oceana. Oceana chorava copiosamente enquanto embarcava em um ônibus de viagem prestes a partir para um destino desconhecido. Ela acenava, dizendo entre soluços que nunca mais queria vê-lo. Fabiano sentiu um pânico mortal; corria atrás do ônibus, chorando e gritando, implorando para que ela descesse, mas Oceana apenas se afastava cada vez mais naquele veículo...
Talvez todo mundo já tenha tido um sonho assim, onde a pessoa amada vai embora, e o medo transborda do sonho para a realidade, causando suores frios.
Fabiano acordou assustado, a fronha do travesseiro encharcada de suor.
Virou a cabeça e, ao tocar o corpo morno de Oceana, seu coração, que batia descompassado, começou a se acalmar. Ele se virou e puxou a mulher, que dormia na beirada da cama, para dentro de seus braços.
— Oceana...
Ele a abraçou com força, beijando seus cabelos. Só ao sentir a suavidade do corpo dela é que finalmente sentiu paz.
Eram cerca de cinco da manhã. Oceana, ainda mergulhada no sono, foi despertada e tentou se desvencilhar, incomodada, mas o abraço de Fabiano era firme demais; qualquer resistência era inútil.
Fabiano colou o corpo ao dela, falando como se fizesse manha:
— Oceana, tive um pesadelo horrível. Sonhei que você ia embora, me deixava... Eu te implorava, mas você não olhava para trás, me ignorava. Eu fiquei com tanto medo, tanto medo...
Ela dizia "nunca", mas seus olhos revelavam uma crueldade decidida.
Ficaram na cama por mais algum tempo. Quando levantaram, já eram quase nove horas. Fabiano queria ficar em casa para tomar café da manhã com Oceana antes de ir para a empresa, mas o telefone não parava de tocar. Sem escolha, comeu qualquer coisa às pressas, beijou a testa de Oceana e saiu.
Assim que ele se foi, Oceana subiu, arrumou-se rapidamente e chamou um carro de aplicativo para ir ao hospital.
Seu carro havia ficado na delegacia e o Assistente Matos ainda não o trouxera de volta.
Chegou ao hospital perto das onze horas, devido ao trânsito pesado. Ao vê-la, Francisco Barros continuou preenchendo as planilhas em suas mãos, agindo como se ela fosse invisível.
Oceana ficou com uma expressão meio sem graça. Estava claro: o Doutor Barros estava bravo de novo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!