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Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou! romance Capítulo 186

Bem nesse momento, o garçom do restaurante se aproximou trazendo uma caçarola de barro.

— Com licença, senhor e senhora. Este é o último pedido: Sopa de Miúdos.

Dito isso, o garçom acomodou a caçarola na lateral da mesa e, em seguida, dispôs cuidadosamente a concha e as tigelas de porcelana ao lado.

A Sopa de Miúdos era uma receita tradicional e muito saborosa, preparada com um caldo espesso de arroz e gengibre, ao qual se adicionavam almôndegas de porco, tripas, fígado e outras vísceras.

No passado, quando acompanhara Fabiano Nunes em uma viagem de negócios à Cidade G, Oceana Amaral havia provado a autêntica versão daquele prato. A lembrança marcante do sabor a fizera pedir a sopa logo ao chegarem, seguindo seu próprio gosto.

Ao notar que Francisco Barros mal havia tocado no prato principal, limitando-se aos acompanhamentos, Oceana Amaral pegou uma tigela limpa. Serviu uma concha generosa do caldo, levantou-se ligeiramente e colocou a tigela bem ao lado da mão do médico.

— Tome um pouco da sopa. O sabor está incrível.

Oceana Amaral o encarou, falando com extrema sinceridade.

Francisco Barros pousou os talheres, lançou um olhar para a mulher à sua frente e, depois, observou a sopa a seu lado.

Ele pegou a tigela e mexeu o líquido levemente com a colher. Assim que viu os pedaços evidentes de pulmão e outras vísceras suínas mergulhados no caldo, Francisco Barros devolveu o recipiente à mesa de imediato.

— Algum problema?

Ao vê-lo pegar e soltar a tigela tão rápido, Oceana Amaral perguntou, preocupada por não entender o que havia acontecido.

— Não é nada. É apenas uma questão de hábito pessoal. Eu não costumo comer vísceras — explicou Francisco Barros, em um tom sereno.

Como a sopa havia acabado de sair do fogo, o líquido reteve uma temperatura altíssima, sem tempo de esfriar. A quantidade que atingiu a mão de Oceana Amaral queimou parte de sua pele em uma fração de segundo.

No calor do momento, nenhum dos dois havia percebido a intimidade inadequada daquele gesto.

Foi apenas quando o garçom retornou com o gelo e a toalha que a ficha caiu. Francisco Barros pegou os itens e, num instinto automático, fez menção de aplicar a compressa fria nela, mas a mão que ele segurava recuou timidamente.

— Obrigada, obrigada, Doutor Barros... Eu... eu mesma faço isso.

Dando-se conta, enfim, da estranheza da situação, Oceana Amaral recolheu a mão por completo, com o rosto ardendo de vergonha. Ela pegou a bolsa de gelo das mãos do médico e a pressionou contra o próprio ferimento.

Ela não era tola. Se o fato de Francisco Barros ter viajado até a Cidade R apenas para lhe entregar os remédios podia ser justificado por sua vocação médica e pelo dever de cuidar do próximo, a aflição e o nervosismo genuínos estampados em seu rosto quando ela se queimou deixaram tudo cristalino. Naquele instante, Oceana Amaral entendeu exatamente o que se passava.

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