— Você não disse agorinha que ia para a cidade encontrar um antigo colega de classe?
A Senhora Amaral continuou falando enquanto se servia, sem notar a expressão de pânico que atravessou o rosto da filha.
— Vamos para a cidade?
Fabiano Nunes olhou para a mulher ao seu lado e completou:
— Tudo bem, vou avisar o Saulo agora mesmo.
Saulo era o motorista exclusivo que o Assistente Matos havia contratado especialmente para eles durante a estadia na região. Com o status atual de Fabiano Nunes, ele já chegara ao nível de precisar de um motorista para qualquer deslocamento.
A ida à cidade hoje era para buscar remédios, por isso, no fundo, Oceana Amaral não queria que Fabiano Nunes fosse junto. Ela havia comentado com os pais pensando em pegar um táxi na vila e ir sozinha até Cidade R, mas agora a situação complicara.
— Não precisa se incomodar, eu vou sozinha.
Diante dos pais, o tom de Oceana Amaral não foi frio, mas ela tentou negociar com calma:
— Fique em casa, não precisa me acompanhar.
Fabiano Nunes não respondeu imediatamente. Mexeu suavemente a canjica na tigela com a colher e perguntou num tom neutro:— Que colega é esse? Eu conheço?
Embora o tom dele fosse calmo, Oceana Amaral sentiu um desconforto estranho.
— Você não conhece, era da minha sala no ensino médio.
A escola de ensino médio deles era pequena, com apenas seis turmas por ano, mas, felizmente, a sala de Fabiano Nunes ficava duas salas distante da de Oceana Amaral. Por isso, Fabiano realmente não conhecia bem, ou nem se lembrava, da maioria das pessoas da turma dela.
Com medo de que Fabiano Nunes acabasse descobrindo algo se ela continuasse ali, Oceana Amaral pousou a colher e a tigela e levantou-se:— Estou satisfeita. Vou subir para descansar um pouco.
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Francisco Barros olhou para a tela, lendo a mensagem extremamente polida no final da conversa. Bloqueou o celular e optou por não responder mais nada.
Oceana Amaral queria ir a Cidade R, mas não queria a companhia de Fabiano Nunes.
No entanto, Marlon Amaral e a Senhora Amaral não ficaram tranquilos em deixá-la ir sozinha. Pensando que ela não voltava há muitos anos e provavelmente teria esquecido muitos lugares de Cidade R, decidiram que Marcel Amaral a acompanharia.
Fabiano Nunes optou por acatar a decisão da Senhora Amaral e ficou em Cidade Y, aguardando enquanto Marcel Amaral acompanhava a irmã para encontrar o tal colega. Contudo, ele acabou chamando o motorista Saulo para levar os dois irmãos pessoalmente ao local indicado por Oceana Amaral.
O Bentley preto estacionou num shopping no centro de Cidade R.
— Senhora, é aqui? — Saulo virou-se para trás, olhando para Oceana Amaral.
— Sim, é aqui. Pode procurar um lugar para estacionar e descansar. Quando terminarmos, eu te ligo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!