Fabiano Nunes sentia-se cansado.
No início, o que lhe chamou a atenção foi o rosto de Fátima Miranda. Depois, percebeu que ela era sensata, compreensiva e dócil, muito diferente de outras mulheres que se tornavam arrogantes com um pouco de mimo. Foi assim que, aos poucos, passou a se interessar por ela. Fátima estava com ele há algum tempo e nunca havia pedido nada, exceto a ajuda para o tratamento do pai. Até então, a impressão que Fabiano tinha dela era bastante positiva.
No entanto, hoje ela havia cruzado uma linha. Como não conseguiu contatá-lo, tomou a liberdade de procurar o Assistente Matos e exigiu que ele falasse com Fabiano.
Isso desagradou Fabiano profundamente. Ela havia sido inoportuna.
Ao telefone, Fátima continuava falando, mas Fabiano não absorvia uma palavra sequer. Quando ela finalmente fez uma pausa, ele perguntou:— Terminou?
— Ter... terminei — gaguejou Fátima, sem entender a frieza.
Fabiano soltou um "hum" gelado. Após um momento de silêncio, disse:— Não se preocupe com o dinheiro para o tratamento do seu pai. De agora em diante, cuide bem dele.
A implicação era clara: não me procure mais.
A frase repentina deixou Fátima atordoada. Ela demorou a processar:— Senhor Nunes... o que... o que o senhor quer dizer com isso?
Fabiano segurava o cigarro aceso entre os dedos, observando a noite densa, e disse com indiferença:— Foque nos seus estudos. Não vá mais àquele tipo de lugar. Eu vou cobrir todas as despesas médicas do seu pai, não precisa me devolver. Considere como uma caridade minha.
Fátima ouvia, paralisada. Teve que fazer um esforço hercúleo para controlar as emoções e não soluçar:
— Desculpa, Senhor Nunes. Não sei se foi a notícia de ontem que lhe causou problemas... Se foi, sinto muito. Quanto ao dinheiro... eu vou trabalhar e devolverei cada centavo o mais rápido possível. Obrigada. Obrigada por toda a ajuda durante esse tempo, serei eternamente grata...
Enquanto falava, as lágrimas rolavam soltas por seu rosto.
E sem esperar qualquer reação, desligou o telefone.
Permaneceu na varanda da sala por mais algum tempo. Só quando o frio da noite começou a penetrar em sua pele é que se virou e entrou.
Não voltou imediatamente para o quarto. Foi até o banheiro de hóspedes, tomou um banho, trocou de roupa e só então retornou para a cama no quarto principal.
Oceana tinha o olfato sensível e detestava cheiro de cigarro, motivo pelo qual Fabiano havia parado de fumar há muito tempo. Aquela noite, porém, fora uma rara recaída.
O quarto estava mergulhado num silêncio absoluto. Fabiano deitou-se ao lado de Oceana. Primeiro, virou-se para ela, repousando a mão sobre a cintura dela. Pouco depois, recolheu a mão, como se estivesse desconfortável, virou-se e ficou deitado de barriga para cima.
De olhos abertos, encarando o teto, sua mente ainda estava presa à ligação que acabara de encerrar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!