— Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
A frase "eu te amo" tornou-se a arma para o reacender da velha chama, mas era também o abismo intransponível que jamais seria reparado entre eles.
Fabiano Nunes, vou te dar uma última chance, como se estivesse pagando uma promessa àquela garota que eu fui há onze anos.
Oceana Amaral pensava nisso, mas a tristeza já havia envolvido todo o seu coração.
Será que ela ainda poderia dar uma chance a ele?
Na verdade, era ela quem já não tinha mais chances.
Durante todo o trajeto de volta à cidade, Fabiano parecia radiante. O som do carro tocava músicas que lhes eram familiares.
Oceana pegou o celular e viu que a entrevista que dera na noite anterior já ocupava o topo dos assuntos mais comentados nas redes sociais.
Ao clicar na hashtag, viu que a opinião dos internautas estava dividida.
Uma parte a elogiava por ser uma mulher de classe, enquanto a outra a xingava de fraca e submissa.
[Como esposa, num momento de crise desses, escolher proteger o marido sem hesitar... Sinceramente, é uma atitude nobre. Roupa suja se lava em casa.]
[Não sei se é nobreza, só acho humilhante. O marido trai e ela finge que nada aconteceu, dá entrevista dizendo que confia nele? É o auge da mulher capacho.]
Havia quem a defendesse nos comentários e quem a ridicularizasse.
Oceana desligou a tela do celular e virou o rosto para a janela, com o olhar frio e distante.
Ao seu lado, Fabiano planejava:
— Quando essa fase corrida passar, no Ano Novo, eu vou com você visitar a Cidade Y. Faz anos que você não volta lá.
— Pode ser.
Não se sabe quanto tempo passou até que um movimento na cama denunciou que Fabiano havia se sentado. Ele pegou o celular, que estava na mesa de cabeceira, e saiu do quarto.
Assim que a porta se fechou, Oceana, que mantinha os olhos fechados, abriu-os na escuridão, completamente desperta.
— Alô.
Fabiano ligou para Fátima Miranda.
Do outro lado, Fátima, que esperara ansiosamente o dia todo, quase chorou de alívio ao atender:— Senhor Nunes, finalmente o senhor atendeu...
Ao ouvir a voz jovem e cheia de alegria mesclada com tristeza, Fabiano manteve a expressão impassível. Pegou o isqueiro e acendeu o cigarro que prendia entre os lábios.
Fátima continuava falando, num misto de felicidade e pesar:
— Desculpa, Senhor Nunes, fui eu quem trouxe problemas para o senhor e sua esposa. A culpa é toda minha. Se o fato de eu estar envolvida fez com que todos o compreendessem mal, estou disposta a vir a público esclarecer tudo. Afinal, tudo o que o senhor fez foi apenas para me ajudar...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!