Ao ver Fabiano Nunes descer do carro, o homem de terno aproximou-se imediatamente, fez uma reverência respeitosa e disse:— Senhor Nunes, o jantar já está servido. Desejam comer agora?
Fabiano Nunes permaneceu em silêncio e olhou para a mulher ao seu lado:— Quer jantar primeiro ou prefere dar uma volta pelos arredores antes?
Oceana Amaral sentia o estômago vazio, mas não queria perder aquele pôr do sol deslumbrante. Então, perguntou:— Seria possível providenciar um lugar onde pudéssemos jantar e, ao mesmo tempo, apreciar a vista?
O Mordomo Almeida assentiu, respondendo com cortesia:
— Certamente, senhora.
Fabiano Nunes era um dos maiores investidores da Mansão dos Vagalumes, praticamente o dono do lugar. Portanto, arranjar um local com uma vista privilegiada não era apenas uma tarefa para o Mordomo Almeida, mas uma ordem a ser cumprida com perfeição.
O jantar preparado era da alta gastronomia francesa.
Como prato principal, havia Boeuf Bourguignon, Escargots à la Bourguignonne e Foie Gras.
As sopas incluíam a tradicional Sopa de Cebola Gratinada e a Bouillabaisse.
Para a sobremesa, Crepes Suzette e Mil-folhas.
Olhando para uma mesa cheia de comidas recomendadas na internet, Oceana Amaral agora só queria uma mesa cheia de pratos feitos, ela só queria comer pratos caseiros, apimentados e saborosos, acompanhados de arroz branco.
Mas apesar de pensar assim, ela não disse nada, afinal, tudo já estava praticamente pronto, e mudar de última hora seria um grande desperdício de comida.
Ela pegou a faca e o garfo, prestes a começar, quando viu Fabiano Nunes dar uma ordem:— Poderia trocar tudo por comida brasileira? Estou habituado ao nosso tempero.
— Claro, Senhor Nunes.
O Mordomo Almeida imediatamente instruiu a equipe a retirar os pratos.
Oceana Amaral observou enquanto a comida francesa era levada embora, um prato após o outro, e depois olhou para Fabiano Nunes, sentado à sua frente.
— O que foi?
Era uma refeição caseira, recém-saída do fogo, com aquele aroma defumado e apetitoso que despertava a fome só de olhar. As cores eram vibrantes e o cheiro, irresistível.
Oceana, faminta, não fez cerimônia e começou a se servir assim que os pratos chegaram.
Embora ambos estivessem sem comer o dia todo, Fabiano Nunes parecia não ter pressa. Enquanto Oceana comia, ele separou um pedaço de peixe assado em seu prato, retirou cuidadosamente todas as espinhas e, em seguida, empurrou o prato na direção dela.
Oceana, que estava concentrada em sua refeição, parou ao ver o peixe limpo surgir à sua frente. Ficou atônita por um instante, mas antes que pudesse reagir, o Mordomo Almeida comentou:
— O Senhor e a Senhora Nunes têm uma sintonia maravilhosa. É de causar inveja, parecem recém-casados em lua de mel.
Oceana olhou para Fabiano. Ele tinha um sorriso nos lábios e os olhos fixos nela, transbordando contentamento.
Sentiu uma leve tontura. Não sabia se era alucinação pela fome ou se a paisagem lá fora era bela demais.
Por um breve e fugaz momento, Oceana Amaral teve a impressão de estar vendo o Fabiano Nunes de dezessete anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!