Ele segurou a mão dela num gesto de súplica, com os olhos cheios de dor.
Acreditar? Como acreditar nele?
Mesmo que tudo o que ele dissesse fosse verdade, que ele realmente estivesse fazendo hora extra na empresa ontem à noite e que aquela foto fosse de fato algo antigo... e daí? Isso não provava nada.
Afinal, quando se grita "lobo" muitas vezes, as pessoas param de acreditar.
Uma lógica tão simples que até uma criança entende.
Oceana Amaral puxou com força a mão que estava presa na de Fabiano Nunes.
Ela olhou para aquele homem que amara por onze anos e, de repente, soltou um leve suspiro.
------
Fabiano Nunes não dormiu bem a noite toda. Sempre que estava prestes a adormecer, acordava subitamente de um sonho, como uma reação de estresse do corpo.
Só ao acordar e ver que Oceana Amaral ainda estava ao seu lado é que seu coração tenso se acalmava gradualmente.
A noite inteira foi praticamente assim, num ciclo repetitivo e sem trégua.
Na manhã seguinte, quando o primeiro raio de sol atravessou as cortinas de voal branco e iluminou o quarto, Fabiano Nunes finalmente suspirou aliviado.
Ele abriu os olhos e observou Oceana Amaral, que ainda dormia profundamente ao seu lado.
O nariz delicado e adorável, os cílios densos e longos, os lábios com um tom pálido de sangue e a pele branca e imaculada.
Onze anos se passaram, e a aparência dela parecia não ter mudado nada.
Parecia que a qualquer segundo ela abriria aqueles olhos vivos e charmosos, se jogaria sorrindo em seus braços e, timidamente, enterraria o rosto em seu peito, abraçando-o e fazendo manha para que ele ficasse mais um pouco.
E ele?
— Não precisa. Fique deitada mais um pouco, eu vou preparar. Descanse.
Dizendo isso, ele se levantou da cama, vestiu rapidamente uma roupa confortável e desceu.
Vendo que ele ia cozinhar, Oceana Amaral não o impediu. Deitou-se novamente na cama; ainda sentia sono, estava muito cansada, e confusamente fechou os olhos outra vez.
Fabiano Nunes desceu, pegou os únicos ingredientes que havia na geladeira e preparou um sanduíche simples com leite quente.
Ele levou o café da manhã para cima, até a cabeceira de Oceana Amaral, foi ao banheiro umedecer uma toalha e só então caminhou até a beira da cama, chamando suavemente:
— O café está pronto. Vou limpar seu rosto primeiro, aí você come e depois dorme mais, pode ser?
Ao ouvir isso, Oceana Amaral abriu os olhos sonolentos e estendeu as mãos brancas e finas. Fabiano Nunes segurou suas mãos e a ajudou a se levantar.
Sentado à beira da cama, ele limpou o rosto dela com delicadeza, exatamente como fazia nos primeiros anos de namoro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!