Ao ver o comportamento inútil do filho, Simone Santana quase desmaiou.
Sérgio Santana lançou a ele um olhar que beirava um sorriso cínico.
Aquela expressão parecia de alguém prestes a engolir o outro vivo.
— Se não quer dar, então não dê.
O espetáculo grotesco da família de Simone finalmente chegou ao fim.
Mas Sérgio Santana se animou.
Quando Júlia cortava frutas na cozinha, ele a seguia.
Quando ela foi para o escritório revisar documentos, ele continuou atrás.
— O que você quer? — Júlia não aguentou mais e lançou um olhar fulminante ao vê-lo espreitando-a como um lobo observando sua presa, mantendo certa distância.
— Nada.
Sérgio Santana encostou-se no batente da porta, com um dos pés ligeiramente flexionado, tocando o chão com a ponta.
— Você ficou com pena de mim agora há pouco, não ficou? — perguntou, sorridente.
— Hã?
— Quando a Tia Simone disse que eu estava tão doente que iria morrer.
— Sérgio Santana!
Júlia colocou o celular virado para baixo sobre a mesa.
— Não fique falando essas coisas em pleno Ano Novo.
O coração de Sérgio se amoleceu.
O pequeno escritório estava impregnado com a fragrância de frutas cítricas que ele adorava.
Era a mesma receita de perfume que Júlia fazia para ele no passado.
Diferente da essência da empresa, aquele aroma, misturado ao cheiro de madeira da antiga mansão, era mais quente e acolhedor.
Sérgio Santana nunca tinha se sentido tão em paz.
Imerso naquela atmosfera, ele quase não conseguiu se segurar e esteve a ponto de revelar tudo sobre o erro de diagnóstico.
Mas o medo de arruinar aquela afeição tão duramente conquistada o impedia.
Mesmo que fosse apenas por pena de Júlia.
— Amanhã você leva a Dora para casa. A menina não para de falar no coelhinho, assistiu ao vídeo da câmera de segurança umas oitocentas vezes esta noite.
— E você?
Sérgio tirou o celular, resignado, e acenou com ele diante de Júlia.
Ele até tinha compartilhado a senha do celular com ela, então não havia segredos.
— A partir de amanhã, os executivos da empresa vão começar a vir me visitar. Ficar aqui será muito tedioso.
Sérgio Santana podia ficar doente e não ir trabalhar.
Porém, Sérgio Santana já havia dado uma olhada nisso tudo antes do feriado, poupando a ela a maior parte do esforço.
Por volta das nove da noite, Júlia Guedes foi buscar Sérgio conforme o combinado.
Ela já havia estado algumas vezes no restaurante giratório no topo daquele hotel.
No entanto, devido ao feriado de Ano Novo, todas as empresas e lojas do térreo estavam fechadas, deixando o saguão excepcionalmente deserto.
Sérgio Santana já estava preso naquela bebedeira por mais de três horas. Como todos ali eram funcionários da empresa e notaram que ele realmente tinha compromisso, não insistiram para que ficasse.
Ao sair do elevador, sua intenção era ligar para Júlia, mas não esperava ser interrompido no meio do caminho.
— Sérgio Santana, eu preciso falar com você.
Um homem embriagado se colocou à frente dele.
— Lucas Franco, o que faz aqui?
— Hehe, o que eu faço aqui...
Lucas repetiu as palavras.
Aqueles últimos dias tinham sido de pura humilhação, precisando implorar a todos.
Arthur Franco não conseguia nem salvar a si mesmo, e Lucas finalmente compreendeu que, sem a proteção do pai, ele nunca teria conseguido abrir uma empresa, tampouco realizar qualquer coisa.
— O que é preciso para que você deixe o Grupo Franco em paz? O que vai fazer você parar?
— Me diga.

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