Sérgio Santana o segurou e ao mesmo tempo o empurrou ligeiramente para longe.
— Você está bêbado. Se precisar de algo, agende com meu assistente.
— Pare aí mesmo!
Lucas o seguiu apressadamente para fora do saguão do elevador.
— Você só está se vingando de mim por causa da Júlia, não é?
Sérgio lançou um olhar sutil pelo saguão do primeiro andar.
Não havia ninguém ali.
Apenas uma sombra projetada alongada atrás de um pilar.
Ele não tinha a menor intenção de perder tempo com Lucas Franco, mas tirar proveito de qualquer vantagem era um traço entranhado em seu próprio DNA.
Sérgio ergueu as pálpebras.
— E daí se for? Vocês dois a enganaram de um jeito horrível. Um tentou usá-la como bode expiatório para ir para a cadeia, e o outro roubou cem milhões, quase a forçando a usar as economias de uma vida para tapar o rombo da empresa.
Ele curvou os lábios.
Em nada lembrava a obediência e mansidão que demonstrava diante de Júlia Guedes.
— Eu quero acabar com você. Algum problema com isso?
Lucas encarava Sérgio Santana intensamente.
Seu fôlego exalava o hálito quente do álcool.
— Dê o seu preço.
— Como é? — Sérgio Santana inclinou a cabeça e deu um sorriso frio.
— Eu estou te mandando dizer as malditas condições!
— Precisa que eu retire as ações da Júlia na Império Mídia? Ou quer que eu dispense todo o pessoal que ela designou no estúdio antes? Quer que eu assine uma carta de garantia? Fale logo!
Sérgio observava tudo friamente.
O Lucas que estava à sua frente implorava e se rebaixava, bem diferente do homem que, anos atrás, bancava o cavaleiro em defesa dela e o enfrentava.
Ele sentia pena de Lucas.
No entanto, quem é digno de pena sempre tem algo de desprezível.
Ele já tinha enxergado as verdadeiras intenções dele e até o alertara no passado.
Esse homem nascido num berço de ouro foi protegido de forma exagerada. Pelo fato de nunca ter enfrentado verdadeiros obstáculos, sempre pareceu lidar com tudo facilmente.
— Então você está usando a Júlia para negociar comigo agora?
Os olhos de Lucas Franco estavam injetados de sangue.
Não era o que ele desejava, mas que outra escolha restava?
Com um rombo de mais de um bilhão, se até mesmo o Grupo Franco desaparecesse, sua vida estaria acabada!
— Estou.
— É só você pedir. — disse Lucas, inspirando profundamente.
Sérgio abaixou os olhos e observou o reflexo no chão.
A silhueta dos dois estava turva.
Assim como no passado ele não enxergava a si mesmo, e agora Lucas também não enxergava.
O sorriso de Sérgio era desprovido de qualquer calor.
— Eu sou um homem de negócios, e as minhas exigências já foram feitas há muito tempo. Você me disse que, se eu lhe desse uma semana, os exames de sangue chegariam às minhas mãos. E o resultado foi que nada aconteceu.
— Lucas Franco, talvez eu não seja digno dela, mas você com certeza não é.
Lucas arregalou os olhos, os lábios tremendo.
Ele encarou Sérgio com olhos cheios de ódio, mas não encontrou uma única palavra para revidar.
Sérgio o contornou e foi em direção ao pilar.
Lá estava Júlia Guedes, de cabeça baixa, agarrada firmemente à sua garrafa térmica em silêncio.
A situação de Lucas era diferente da de Sérgio.
A consciência dela estava perfeitamente limpa em relação a Sérgio Santana, porém Lucas a havia auxiliado de diversas formas no passado.
Isso tornava impossível até mesmo proferir uma palavra dura contra ele.
O olhar de Sérgio transmitia arrependimento.
Ele tomou o copo dela gentilmente e também levou sua bolsa.
— Vamos, hora de ir para casa.

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