O mezanino de manutenção estava excepcionalmente abafado.
Sérgio Santana mal conseguia respirar.
Carlos usava o sistema de som do salão para ameaçá-lo.
— Maldito traidor, se você não sair agora com as provas que roubou, vou mandar matar sua mulher e sua filha.
— Diretor Franco, você disse que ele se importa muito com elas, não é?
Pelo alto-falante, a voz de Arthur Franco soou com uma certa distância.
— Sem a menor dúvida.
No espaço confinado, Sérgio Santana não tinha como julgar a velocidade da navegação nem o ambiente ao redor.
Apenas sentia que o balanço piorava cada vez mais.
No início, era um solavanco para todos os lados, e ele mal conseguia se manter em pé apoiado na parede.
Mais tarde, parecia ter sido jogado em um pilão, sendo socado e arremessado para cima a cada impacto.
O som das sirenes da polícia se aproximava cada vez mais.
— Iate à frente, pare a embarcação imediatamente para inspeção! A navegação perigosa é proibida, caso contrário, executaremos uma interceptação forçada!
— Repito...
Júlia Guedes estava em outro barco de comando, podendo ver toda a situação.
Ela entrelaçava as mãos com força, sem ousar desviar o olhar do monitor por um segundo sequer.
Na transmissão do drone, era possível até mesmo ver os respingos da água do mar.
Os homens e mulheres reunidos no convés do iate agarraram-se ao que podiam para se segurar.
Mas, entre aquelas pessoas, não estava Sérgio Santana.
— Relatório: o iate alvo está vindo em nossa direção a uma velocidade de trinta nós.
— O objetivo deles é a área marítima a leste.
A duzentas milhas náuticas do Distrito de Mirante, ficavam as águas internacionais.
Contudo, o fim das águas internacionais tinha apenas dois destinos: ou era terra firme, ou o mar territorial de outro país.
Aquela gangue claramente acreditava que, se despistasse a polícia, teria a chance de escapar da jurisdição.
No barco de comando estavam o subcapitão da investigação de crimes econômicos, colegas da Unidade de Repressão ao Contrabando e outros departamentos de apoio.
— Vamos avançar para dar apoio, precisamos deter esse grupo a todo custo.
O iate disparou rumo ao leste.
Sérgio Santana caiu junto com a caixa de ferramentas, deslizando até a porta.
Com o ouvido encostado na fresta, pôde escutar que havia pessoas por perto.
— Rápido, verifiquem quarto por quarto.
— Não deixem passar nada, nem os depósitos nem as salas de manutenção!

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