No momento em que abriu a porta, Júlia ficou em choque com o que viu.
Todo o restaurante da cobertura estava vazio e envolto na escuridão.
A cada passo de Júlia, pequenos pontos de luz brilhavam no chão.
Como se fosse um rio de estrelas que ia se acendendo aos poucos.
— Sérgio, você está aí?
Além da luz no chão, não havia mais ninguém ao redor.
O amplo restaurante possuía mais de 300 metros quadrados, e a voz de Júlia ecoou suavemente pelo salão.
Os passos dela hesitaram por um instante e logo continuaram.
Em seguida, a luz ambiente dos cantos se acendeu e, através das janelas, as luzes da cidade inteira despontaram.
Todos os edifícios comerciais formavam o que se parecia com um mar de estrelas.
A luz em tons suaves de laranja era ainda mais impressionante do que uma gigante projeção em 3D.
Uma faixa de luz contornando a cidade começou a fluir em círculo em torno do restaurante.
E Júlia era o centro que todo o universo de luz admirava.
Naquele momento, ela, de repente, se sentiu como uma estrela daquela imensidão.
Pequena como poeira.
Mas, de alguma forma, sentiu-se compelida a seguir em frente.
Júlia entendeu então.
Sérgio parecia vir da outra extremidade daquele rio estrelado cor de laranja.
Ele trajava um terno sob medida impecável que Júlia nunca havia visto antes.
No bolso do paletó havia uma flor de hibisco laranja.
Os lábios finos, pressionados, formavam uma linha branca.
Seu peito se movia levemente, denunciando uma certa tensão em sua respiração.
— Júlia, estou muito feliz em poder recebê-la hoje.
Sérgio se aproximou, observando o olhar atônito de Júlia.
Ele abriu uma caixa vermelho-escura.
Dentro, repousava um anel de diamantes incrivelmente puro e de muitos quilates.
Então ele ajoelhou-se.
— Eu... Eu sei que nosso casamento fracassou. Passei todo o tempo desperdiçando seus esforços e nunca encarei de verdade nossos sentimentos.
Sérgio abriu a boca e notou que a garganta secou.
Ele fez uma pausa, o gogó engoliu em seco antes que a frase completa pudesse escapar.
— Durante o tempo que você se foi, eu entendi o que era se arrepender, compreendi o que significa gostar e amar.
— Não posso mudar o passado, mas quero pedir que você me dê mais uma chance.
— Não como o homem por quem você um dia se apaixonou, nem como o sujeito do acordo prénupcial. Muito menos como o neto da vovó ou o pai da Dora. Quero ser apenas o homem que te ama, que fará tudo por você e que quer passar o resto da vida ao seu lado.
Sérgio retirou o anel da caixa cuidadosamente e ergueu em direção a Júlia.
Sua respiração começou a ficar acelerada.
— Você quer se casar comigo?
Júlia pensava consigo mesma.
Sérgio não era o único tenso.
Seu coração talvez estivesse batendo mais rápido que o dele.
Sobre a relação deles, Júlia havia imaginado inúmeros cenários.
Quando terminaram na Mansão da Encosta, ela acreditou que seria o fim da linha para ambos nesta vida.
Ao voltar ao país, ela o via apenas como o pai de sua filha, um mero conhecido do passado.
Ela nunca considerou que após vivenciar sua frieza, seu descaso, e até sua traição, ela ainda possuiria coragem para acreditar outra vez.
Mas Sérgio não tinha pressa. Ele era como um caçador paciente.
Aproximava-se passo a passo.
Ele ia se aproximando devagar, passo após passo, como quem escala uma montanha perigosa com muita paciência.
Antes de atingir o pico, não havia sombra dele.
Júlia pensou que ele realmente fez isso.
Fosse em relação ao cuidado de Dora ou na sua proteção, ele provou com ações o tempo todo.
Ao relembrar instintivamente de tudo que passara.
Lágrimas rolaram por seu rosto.
— Você, não chore.
Sérgio antes se sentia angustiado.
Mas, ao ver as lágrimas de Júlia, entrou em pânico.
Ele se levantou apressado, passou a mão por todo o corpo tentando encontrar algo para enxugar suas lágrimas.
— Sérgio.
A respiração de Sérgio falhou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!