O casamento deles foi organizado na Ilha de Santana, no exterior.
Sérgio Santana começou a ficar nervoso com uma semana de antecedência.
Tinha medo de que o tempo estivesse ruim e também temia que Júlia Guedes se arrependesse de última hora, recusando-se a casar novamente com ele.
Afinal, a cerimônia ainda não havia acontecido, e a certidão de casamento não havia sido assinada.
Dona Helena Santana havia dito que era melhor os dois não se verem antes do casamento.
Da última vez, foi justamente porque Sérgio não levou o assunto a sério que acabaram chegando ao ponto de se divorciar.
Sérgio não era supersticioso, mas acabou dando ouvidos.
Ele parecia um homem cheio de esperança, como se estivesse a fazer um pedido perante um altar.
Independentemente de dar certo ou não, o importante era manter a devoção.
— Mamãe, esse avião é realmente do papai?
Júlia Guedes entrou no jato particular de mãos dadas com a filha.
— É, é o avião do papai.
— Uau, é tão diferente daquele em que voltamos para casa.
O jato particular não era tão grande quanto um avião comercial.
A escada desceu lentamente.
A Sra. Débora já aguardava há bastante tempo.
— Senhora, senhorita Dora, deixem as malas comigo.
— Não precisa, nossa bagagem de mão não está pesada.
Além de Júlia, Patrícia Prado e a equipe do seu estúdio já haviam partido antes para o local do casamento.
Júlia não precisou se preocupar com o vestido ou os outros preparativos.
Diziam que casar era exaustivo, mas ela não sentiu isso de forma alguma.
A Sra. Débora levou Júlia para um rápido tour.
A combinação de tons creme e couro marrom‑escuro conferia um visual bem empresarial, mas as almofadas e as roupas de cama foram trocadas temporariamente pelas preferidas de Júlia.
Na cabine havia quarto, sala de entretenimento e um bar completo.
Dora não resistiu e começou a correr pelo espaço.
— Mamãe, seria tão bom se o coelhinho pudesse vir brincar com a gente.
Júlia acariciou a nuca da filha.
Se a burocracia da quarentena para animais não fosse tão complicada, Sérgio com certeza deixaria a filha levar o coelho no avião.
Aquele homem satisfazia todos os pedidos de Dora; era um pai extremamente carinhoso e mimador da filha.
A Sra. Débora entregou a Júlia o cronograma do casamento e do local.
— Isso é no Hotel Grand Royal?
— Sim, senhora. Essa Ilha de Santana, embora privada e comprada por ele, tem uma infraestrutura muito completa. A dona Helena e a sua equipe já chegaram.
Logo após desembarcar, a primeira sensação de Júlia foi o cheiro úmido da grama fresca.
Misturado à brisa do mar e ao ar quente tropical, a fazia inevitavelmente se lembrar do verão da formatura na época da escola.
Era muito fácil associar a palavra "perfeição" àquela ilha.
[Pastor-Alemão 001: Chegou?]
[Mentirosa: Sim, cheguei.]
[Pastor-Alemão 001: Sentiu minha falta?]
Júlia enviou uma sequência de reticências.
Sérgio respondeu com a figurinha de um Cachorrão.
[Pastor-Alemão 001: Eu senti a sua.]
Júlia prendeu um sorriso nos lábios.
Segundo a Sra. Débora, Sérgio estava se ocupando pessoalmente dos preparativos no local do casamento nos últimos dias.
Ela não fazia ideia de onde ele arrumava tanto tempo, pois não parava de receber mensagens dele.
[Pastor-Alemão 001: Estão todos dizendo que não posso te ver antes do casamento.]

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